O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou neste sábado (14) que ser vice não é seu “estilo” e que “produz melhor podendo ser o candidato”.
Caiado concretizou sua filiação ao PSD e se posicionou – ao lado de Ratinho Jr e de Eduardo Leite – na disputa interna sobre qual será o candidato do partido nas eleições majoritárias deste ano. O processo é conduzido pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, que deve anunciar a escolha até abril.
Em entrevista à CNN logo após assinar a filiação, Caiado respondeu à possibilidade de abrir mão de sua candidatura em prol de um pré-candidato melhor avaliado, citou a missão de focar em Goiás, reforçou o desejo de nacionalizar um acordo com o MDB e voltou a defender a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Já dei a receita, se eu for eleito, no primeiro dia eu faço a anistia ampla, geral e irrestrita, atingindo também o ex-presidente. Acabou essa conversa”, destacou.
Veja a entrevista na íntegra:
Qual a importância da filiação?
“No momento em que o União Brasil decidiu não ter candidato à presidente da República, foi um entendimento que eu tive, conversei claramente que eu tenho pretensões de ser candidato pelo partido. Então recebi um telefonema do Kassab, que falou: “Caiado, você tá disposto a entrar nesta prévia?”, eu disse: “Lógico que estou, eu nunca fui nomeado pra nada na minha vida”, então eu aceitei, estou dentro do grupo com mais dois colegas, o Eduardo Leite e o Ratinho, onde até o dia 30 nós teremos aí a definição de quem deverá ser aquele que irá assumir a disputa de 2026″, disse Caiado.
“Eu conheço bastante a realidade política do país, conheço o Brasil todo. Ao mesmo tempo, como gestor, sou o governador mais bem avaliado do país. Nós vamos fazer em Goiás uma eleição com o nosso vice-governador, o Daniel Vilela, que como eu, ganhamos o primeiro turno e quero também que ele seja vitorioso no primeiro turno”, acrescentou.
O senhor abriria mão da candidatura em prol de um outro nome do PSD que estiver melhor avaliado nas pesquisas eleitorais?
“Bom, eu me coloquei à disposição de ser avaliado. Nós temos um compromisso, aquele que for o indicado terá o apoio dos demais. Eu jamais estou abrindo mão, eu respeitarei a decisão, ninguém está abrindo mão. Todos nós estamos lutando para sermos ali o indicado e sabemos que só tem uma vaga. O compromisso mais importante é saber que, aquele que for indicado, já existe esse acordo entre nós três, que terá o apoio dos demais. Pronto, consolidado”, afirmou o governador.
O senhor aceitaria ser vice dentro do PSD?
“Não é o meu estilo. Vice tem estilo. O meu estilo é sempre assim, de frente. Tá muito difícil conciliar a posição de vice nesse momento, porque eu já venho com vários mandatos e eu acho que produzo muito melhor podendo ser o candidato pelo PSD. Não sendo, eu estarei caminhando com o candidato e estarei fazendo talvez, me dedicando a maior vitória que Goiás já teve talvez nesses 100 anos”, disse Caiado.
Na avaliação do senhor, o que precisa ser feito para tentar romper a polarização?
“Eu já dei a receita, se eu for eleito, no primeiro dia eu faço a anistia ampla, geral e irrestrita, atingindo também o ex-presidente, acabou essa conversa. E vamos trabalhar, vamos fazer o que nós sempre fizemos: segurança pública, emprego, a parte social, conhecendo os vários “brasis” que nós temos”, opinou Ronaldo Caiado.
“Essa polarização, ela não foi criada na cabeça do eleitor, ela foi muito bem trabalhada pelo PT nesses quatro anos. O governo Lula não fez nada, só manteve esse 8 de janeiro. Você não vê ele fazendo nada, não vê entrando na área da inteligência artificial, inovação, mercado, nada. É um populismo desenfreado e a o mesmo tempo, só cresce no Brasil o narcotráfico e corrupção. Você tem cinco mandatos do PT, são cinco mandatos do PT, são 20 anos que eles estão no poder, então o brasileiro não vai votar nele. Ao mesmo tempo, o brasileiro vai votar em quem? Aí é que eu falo pra você, vai votar em quem tiver consistência no debate, quem tiver autoridade moral, que vai assumir a Presidência e ser presidente da República”, continuou.
“A Presidência exige a autoridade moral e a liturgia do cargo, é isso que falta no Brasil. Sem um presidente que tem estatura pra ser presidente, continua essa mesma esculhambação. Agora, como presidente, eu saberei chamar o presidente do Supremo, da Câmara, do Senado e saberei responsabilizá-los por todos os problemas que nós teremos que resolver. Assim que é governar, governar não é ser sequestrado por poderes, não é ser submisso a ninguém. Você tem ali na Constituição harmonia entre os poderes, mas tem o respeito entre os poderes, você não pode desfigurar a democracia, não pode desfigurar o presidencialismo. Então, o debate vai dizer o que o cidadão quer ouvir”, acrescentou o governador.
“O brasileiro quer o que nós implantamos em Goiás, é isso que as pessoas querem, então o debate não será mais o 8 de janeiro. O debate que o cidadão quer ouvir é aquele que vai mostrar que, não no discurso, mas no exemplo de gestão, ele fez o que foi feito no estado de Goiás”, concluiu.
Como estão as negociações de aliança entre MDB e PSD?
“Olha, meu vice é do MDB e você vê o Baleia aqui presente junto com o Kassab, é lógico que existe essa aproximação não só em Goiás, mas também vamos tentar buscar essa aproximação no cenário nacional, sim. Esse trabalho tá sendo feito pelo meu vice-governador Daniel Vilela junto ao Baleia e aos demais colegas do partido que não querem relacionamento e nem veiculação ao PT, do presidente Lula”, finalizou.

