• Inflação de maio fica em 0,58%, influenciada por preço dos alimentos

      O preço dos alimentos pressionou o bolso dos brasileiros em maio e representou metade da inflação, que variou 0,58%, no mês passado.

      O resultado mostra que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perdeu força em relação aos dois meses anteriores. Entretanto, fez com que o acumulado de 12 meses chegasse a 4,72%, saindo do limite de tolerância estipulado pelo governo.

      Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

      A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

      Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). O teto é descumprido se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

      A última vez que o acumulado de 12 meses ficou fora do limite havia sido em outubro de 2025, quando marcou 4,68%.

      Veja o comportamento da inflação mensal ao longo de 2026:

      • Maio: 0,58%
      • Abril: 0,67%
      • Março: 0,88%
      • Fevereiro: 0,70%
      • Janeiro: 0,33%

      O IPCA de maio veio acima da estimativa do mercado. O Boletim Focus da última segunda-feira (8), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de maio ficaria em 0,48%. Para o fim de 2026, o mercado projeta 5,11%.

      Alimentos pressionam

      O IBGE apura o comportamento de nove grupos de preços. O que mais subiu foi o de alimentação e bebidas, com alta de 1,33%. Isso representa impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA do mês, ou seja, metade da inflação de maio.

      Itens que mais impactaram o índice:

      1. batata-inglesa (+44,69% e impacto de 0,09 p.p.);
      2. tomate (20,62% e 0,06 p.p.);
      3. carnes (+1,39% e 0,04 p.p.);
      4. cebola (+16,80% e 0,02 p.p.).

      Maio foi o terceiro mês seguido com a inflação dos alimentos acima de 1%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o grupo alimentação e bebida sobe 4,81%.

      Observando especificamente para meses de maio, a taxa de 2026 (1,33%) é a maior desde 2015 (1,37%).

      O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, aponta que a alta dos alimentos é explicada por menor oferta de alguns produtos e preço do frete. “A gente usa muito frete rodoviário.”

      Gonçalves acrescenta que a alta no preço dos fertilizantes – reflexo do conflito no Oriente Médio – também pode ter onerado o custo da produção de alimentos e sido repassado para o consumidor. Se o grupo fosse retirado do cálculo do IPCA, a inflação de maio teria sido 0,37%.

      Energia elétrica

      O segundo grupo que mais pressionou a inflação foi o da habitação, que subiu 1,22% e representou impacto de 0,18%. A explicação está no preço da energia elétrica residencial, com alta de 3,67%. A conta de luz foi o custo individual que mais elevou a inflação no mês passado, com impacto de 0,15 p.p.

      O especialista justifica que a conta pesou mais no bolso por causa da implementação da bandeira tarifária amarela, que representa acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kwh) consumidos. Para junho, também está valendo a bandeira amarela.

      Além disso, o IBGE monitorou reajustes contratuais na conta de luz em seis regiões: Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. O IPCA é um índice nacional, mas os impactos regionais entram na média da inflação do país.

      Alívio nos combustíveis

      O grupo transportes foi o único com deflação (queda média de preços) no mês, recuando 0,46%. A explicação está no preço dos combustíveis (-1,95%), que aliviaram o custo de reabastecimento.

      1. etanol: -6,20%
      2. óleo diesel: -2,34%
      3. gasolina: -1,46%

      A gasolina foi o produto que mais puxou a inflação para baixo em todo o IPCA de maio (impacto de -0,08 p.p.).

      O gás veicular fez o movimento inverso: alta de 5,81% em maio.

      Distribuição

      O índice de difusão, que verifica o quanto a inflação está distribuída, mostra que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços em maio.

      O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia – ou seja, mais suscetíveis à taxa básica de juros, a Selic – e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.

      Em maio, o grupo de serviços teve inflação de 0,40%, somando 5,97% em 12 meses. O grupo monitorados ficou em 0,43% no mês e 5,85% em 12 meses.

      O índice

      O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos.

      A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. 

      Matéria alterada às 10h21 para acréscimo de informação.

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