A Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, considera o fim da escala de trabalho 6×1 como uma "exigência do nosso tempo" para promover maior acesso das mulheres ao mercado de trabalho, além de possibilitar melhor cuidado com a saúde e as relações familiares. A proposta de redução da jornada, que visa garantir dois dias de descanso remunerado semanal sem redução salarial, está em análise no Congresso Nacional. O governo Lula solicitou regime de urgência para o Projeto de Lei (PL) 1838/2026, enquanto comissões especiais na Câmara dos Deputados analisam Propostas de Emenda à Constituição (PEC 221/19 e PEC 8/25) sobre o tema.
Mulheres como Principais Prejudicadas pela Jornada Atual
Márcia Lopes é categórica ao afirmar que as mulheres são as mais afetadas pela escala 6×1. Segundo a ministra, a sociedade historicamente impôs às mulheres jornadas duplas e triplas, combinando trabalho remunerado e não remunerado. Mesmo após a jornada de trabalho formal, muitas se dedicam a estudos, cuidados com a casa e filhos, o que resulta em sobrecarga e cansaço.
Impacto na Empregabilidade Feminina e Desigualdade de Gênero
O fim da escala 6×1 é visto pela ministra como uma ferramenta crucial para combater a sobrecarga, melhorar a empregabilidade feminina e reduzir a desigualdade de gênero no trabalho. Ela enfatiza que, ao lado da busca pela igualdade salarial, essa mudança proporcionará mais oportunidades e melhores condições de trabalho, especialmente para mulheres periféricas e negras.
Desigualdade Salarial no Brasil
Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do Ministério do Trabalho e Emprego, revelam que mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas privadas com 100 ou mais empregados. A Lei nº 14.611/2023 visa combater essa disparidade, exigindo que tais empresas adotem e divulguem medidas para garantir a igualdade salarial para a mesma função.
Reflexos Positivos para Empresas e Economia
Márcia Lopes acredita que o aumento do descanso semanal trará benefícios para as empresas, como a redução do absenteísmo (faltas e atrasos), e para a economia. Ela lista que o tempo livre será utilizado para atividades de lazer, cultura, alimentação saudável, organização comunitária e até mesmo para empreender, contribuindo para a dignidade e bem-estar geral.
Estudos Divergem sobre Impactos Econômicos
Diversos estudos tentam estimar os efeitos da redução da jornada de trabalho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta prejuízos à competitividade do setor, com uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento médio de 6,2% nos preços. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê um aumento de 21% nos custos da folha salarial e uma pressão inflacionária, com repasse de preços ao consumidor podendo chegar a 13%.









