Reconstruir e manter a memória de quem foi capaz de vencer a fome, descrevendo o país, com uma literatura que seguia as normas cultas da vivência, é contar a devida história do Brasil. E enquanto a história é reescrita, a arte do Carnaval constrói uma história imaginada que poderia ser real: uma Academia Carolina Maria de Jesus de Letras, num castelo dourado que é templo simbólico. Na alegoria estavam mulheres que transformam o Brasil contemporâneo através da palavra que navega livre nas mãos e pensamentos de quem, hoje, pode escrever e mudar a história com suas vestes e cabelos. O imponente e ao mesmo tempo leve fardão que usamos como imortais dessa honrosa Academia pretendeu “colocar Carolina num lugar celeste, de mérito, por isso o véu, que representa o lenço que saía de sua cabeça e a elevava a um lugar celeste. Um lugar onde, merecidamente, é dela. Um lugar pra além dos nossos olhos, sagrado”, me contou o carnavalesco Edson Pereira.










