Corregedoria Confirma Invasão Sem Mandado em Ação da PM que Resultou na Morte de Agricultor

A Brigada Militar (BM) realizou uma ação que resultou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, na zona rural de Pelotas, sem mandado de busca e apreensão ou qualquer ordem judicial. A Corregedoria-Geral da BM, através de Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, confirmou a informação, alegando que a entrada na propriedade foi baseada na 'presunção de uma situação de flagrância' decorrente de uma ocorrência no Paraná. O comandante-geral da polícia militar gaúcha, coronel Cláudio Feoli, admitiu um 'grande equívoco' na operação, que ocorreu quatro horas após a prisão de suspeitos no Paraná, cujas informações teriam induzido os PMs ao erro.

Críticas à Abordagem Policial

O professor de Política Social e Direitos Humanos da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Luiz Antônio Chies, classificou a operação como 'apressada' e o desfecho como 'inadmissível'. Segundo Chies, a fonte da informação exigia um trabalho de inteligência mais criterioso antes de uma ação ostensiva, e falhas nos protocolos de abordagem foram evidentes, pois os policiais não se anunciaram, o que em um contexto rural noturno poderia levar o morador a interpretar a situação de forma diferente. Ele ressaltou que a situação não justificava a dispensa de um mandado judicial ou o envolvimento de outros órgãos, como a Polícia Civil.

Investigações em Andamento

Os 18 policiais militares envolvidos na ação foram afastados, e a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso, apreendendo as armas utilizadas. Paralelamente, a Polícia Civil também abriu um inquérito, com o delegado César Nogueira afirmando não ter tido conhecimento prévio da operação da BM e classificando o número de policiais e viaturas como 'incomum'. Testemunhas, incluindo a viúva e familiares da vítima, serão ouvidas a partir de segunda-feira.

O comandante-geral da BM contextualizou que as informações recebidas eram 'com riqueza de detalhes', indicando a presença de cinco indivíduos ligados a uma facção criminosa fazendo a guarda do local. Com base nessas informações, foi montada uma junção de guarnições para 'supremacia de força'. A Polícia Militar do Paraná, por sua vez, informou que os dados compartilhados eram provenientes de seu serviço de inteligência em Guaíra, onde ocorreram as prisões, e que cada instituição era responsável pelo trato e operacionalização das informações.

A Despedida do Agricultor

Marcos Nörnberg foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16) no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas. Amigos e familiares acompanharam a despedida, que ocorreu com caixão fechado devido aos ferimentos.

O Relato da Viúva

Raquel Nörnberg, viúva de Marcos, relatou ter confundido os policiais com bandidos devido à truculência e ao linguajar empregado durante a abordagem. Ela descreveu a brutalidade, mencionando que a obrigaram a se ajoelhar em cima de cacos de vidro e debocharam dela, fazendo-a crer que estava diante de criminosos.

Raquel afirmou que só reconheceu a ação policial ao ver os uniformes, mas que a agressividade a fez duvidar da identidade dos agentes. Ela expressou seu choque, declarando não conseguir entender 'que a polícia faça uma ação dessas e trate pessoas do bem como criminosa'.

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