Foto: Reprodução/Pronatec
Golpistas criam sites falsos que imitam grandes marcas e oferecem produtos com preços muito abaixo do mercado para atrair consumidores desatentos
Nos últimos anos, um dos golpes que mais tem feito vítimas no comércio eletrônico brasileiro é o da falsa loja na internet. Com a popularização das compras online, especialmente após a pandemia da Covid-19, criminosos viram no ambiente virtual uma oportunidade para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas, muitas vezes se passando por empresas conhecidas ou inventando marcas fictícias com aparência profissional.
A prática consiste em criar sites falsos de comércio eletrônico, muitas vezes com visual semelhante ao de grandes varejistas ou redes de marcas famosas, para enganar consumidores. Os produtos são oferecidos a preços muito abaixo da média do mercado, atraindo a atenção de quem busca economia, principalmente em datas como Black Friday, Natal, Dia das Mães ou liquidações sazonais.
Como funciona o golpe
O esquema é relativamente simples, mas muito eficaz:
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Criação da loja falsa: Os golpistas constroem sites com aparência profissional, usando logotipos semelhantes ao de empresas reais, domínio (endereço do site) parecido com o de marcas famosas e até integração com supostas formas de pagamento seguras.
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Ofertas muito atrativas: Os produtos anunciados — celulares, eletrodomésticos, móveis, roupas de marca — aparecem com preços extremamente baixos, o que desperta o interesse imediato do consumidor.
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Pagamento sem entrega: Após a compra, o consumidor realiza o pagamento, normalmente por pix ou boleto bancário, que são métodos difíceis de rastrear e recuperar. Em seguida, ou não recebe o produto, ou recebe algo completamente diferente do que foi comprado.
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Inatividade ou desaparecimento do site: Poucos dias após o golpe, os sites saem do ar, dificultando qualquer tentativa de reembolso ou denúncia efetiva.
Casos recentes
Relatórios de instituições como o Procon, Febraban e Polícia Civil revelam que esse tipo de golpe tem crescido de maneira preocupante. Em 2024, o Procon-SP recebeu mais de 25 mil reclamações relacionadas a compras não entregues ou realizadas em sites fraudulentos.
Em um dos casos que ganhou repercussão nacional, uma consumidora de Belo Horizonte perdeu R$ 2.000 ao comprar uma geladeira em um site que imitava a página oficial de uma rede de eletrodomésticos. Ela só descobriu que havia caído em um golpe quando tentou acompanhar o rastreio da entrega e não obteve resposta.
Principais sinais de alerta
Para evitar cair nesse tipo de armadilha, o consumidor deve ficar atento a alguns sinais de alerta:
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Preços muito abaixo do mercado: Se a oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é golpe.
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Site recém-criado: Verifique o tempo de registro do site por meio de ferramentas como o Whois. Sites criados há poucos dias devem ser tratados com desconfiança.
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Erros de português e design amador: Muitos sites fraudulentos apresentam falhas gramaticais e problemas no layout.
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Ausência de CNPJ ou dados da empresa: Toda loja virtual verdadeira deve informar o CNPJ, razão social, endereço e canais de contato.
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Redes sociais inexistentes ou inativas: Golpistas muitas vezes não conseguem manter presença real nas redes sociais ou usam perfis genéricos.
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Pagamento somente via Pix ou boleto: Sites que não oferecem opção de pagamento por cartão de crédito ou plataformas reconhecidas (como Mercado Pago ou PayPal) merecem atenção redobrada.
Como se proteger
Confira algumas dicas importantes para se proteger do golpe da falsa loja na internet:
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Pesquise antes de comprar: Busque avaliações da loja em sites como Reclame Aqui, redes sociais e fóruns de consumidores.
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Prefira sites conhecidos ou com boa reputação: Utilize e-commerces que você já conhece ou que foram indicados por fontes confiáveis.
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Desconfie de urgência e pressão para pagar: Golpistas usam técnicas de manipulação emocional, como “últimas unidades” ou “promoção só até hoje”.
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Utilize cartão de crédito virtual ou plataformas intermediárias: Eles oferecem mais segurança e possibilidade de estorno em caso de fraude.
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Consulte o CNPJ da loja: No site da Receita Federal é possível verificar se o CNPJ informado é verdadeiro e compatível com a atividade da empresa.
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Ative alertas bancários e monitore transações: Dessa forma, é possível identificar movimentações suspeitas logo após a compra.
O que fazer se cair no golpe
Se você foi vítima de uma falsa loja na internet, é fundamental tomar as seguintes medidas:
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Registrar boletim de ocorrência (BO): Faça isso presencialmente ou por meio da Delegacia Virtual do seu estado.
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Comunicar seu banco: Especialmente se o pagamento foi feito via Pix, pode haver chance de reversão nos primeiros minutos após a transferência.
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Denunciar ao Procon e ao Ministério da Justiça: Isso ajuda a mapear os sites fraudulentos e proteger outros consumidores.
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Tentar estorno com a operadora de cartão: Em compras feitas no crédito, há possibilidade de contestação da cobrança.
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Reunir provas: Guarde prints do site, recibos, e-mails de confirmação e qualquer troca de mensagens.
Conclusão
O golpe da falsa loja na internet é uma ameaça real e crescente no Brasil. Por isso, é essencial que o consumidor adote uma postura cautelosa e investigativa ao realizar compras online, especialmente em sites menos conhecidos ou durante grandes promoções. A informação é a melhor arma contra fraudes digitais. Ao compartilhar essas dicas com familiares e amigos, você também contribui para uma internet mais segura e consciente.











