O número de mortos nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei no Irã subiu para 648 nesta segunda-feira (12), segundo o monitoramento de um grupo de direitos humanos. As manifestações, que têm gerado caos nas ruas, são alvo de uma resposta cada vez mais dura por parte das forças de segurança iranianas.
Balanço de Vítimas e Denúncias de Organizações Humanitárias
O grupo de direitos humanos HRANA, baseado nos EUA, informou às agências de notícias que o total de mortos chegou a 538, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais. A organização também reportou mais de 10.670 prisões. Outras ONGs, como o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) e a Direitos Humanos do Irã, denunciam um 'massacre' e 'assassinatos em massa', estimando que o número real de vítimas pode ser de até duas mil, em um cenário agravado pelo corte de internet que dificulta a obtenção de dados precisos.
Resposta do Governo Iraniano e Ameaças Geopolíticas
O governo iraniano, que não divulga regularmente números oficiais, acusa os Estados Unidos e Israel de se infiltrarem nos protestos e de serem responsáveis pelas mortes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, confirmou uma 'escalada do nível de confronto' por parte das forças de segurança. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu à população que se afaste de 'terroristas e badernistas', ao mesmo tempo em que tentou buscar diálogo e culpou EUA e Israel por 'semear caos e desordem' no país.
Em um contexto de crescente tensão, o Irã ameaçou retaliar Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso seja alvo de um ataque. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, declarou que, em caso de ofensiva, 'os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos'.
Repercussões Internacionais e Posicionamento do Líder Supremo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia ameaçado intervir na crise se o regime iraniano matasse manifestantes pacíficos, chegando a considerar um ataque militar, embora também tenha mencionado que o governo iraniano buscou negociar um acordo nuclear. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chegou a discutir a possibilidade de uma intervenção no Irã com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, manifestou que seu governo 'não vai recuar' diante dos protestos e classificou os manifestantes como 'vândalos' e 'sabotadores'. O movimento de contestação, que busca a liberdade e se expandiu em escala e violência nos últimos meses, tem sido duramente reprimido desde seu início.









