Robert Duvall, ícone do cinema, morre aos 95 anos


Robert Duvall, ator de destaque cuja carreira no cinema e no teatro se estendeu por 70 anos, faleceu aos 95 anos. O vencedor do Oscar de Melhor Ator em 1983 brilhou em obras como O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, O Sol É Para Todos e muitos outros filmes aclamados.
A notícia foi anunciada por sua esposa, Luciana, nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, no Facebook: “Ontem nos despedimos do meu amado marido, querido amigo e um dos maiores atores de nosso tempo. Bob faleceu em paz em casa, cercado de amor e conforto.” O TMZ foi o primeiro a noticiar a morte de Duvall.
“Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo”, escreveu Luciana. “Sua paixão pela arte só era comparável ao seu profundo amor por personagens, uma boa refeição e por receber visitas. Em cada um de seus muitos papéis, Bob se entregou completamente aos seus personagens e à verdade do espírito humano que eles representavam. Ao fazer isso, ele nos deixa algo duradouro e inesquecível. Obrigada pelos anos de apoio que vocês demonstraram a Bob e por nos concederem este tempo e privacidade para celebrar as memórias que ele deixa.”
Nascido em San Diego, Califórnia, em 1931, Duvall era filho de um contra-almirante da Marinha dos EUA e cresceu principalmente em Annapolis, Maryland. Sobre o pai, ele comentou à GQ em 2014: “Certa vez, ele voltou para casa depois de um longo período no mar e falou asperamente com meu irmão mais novo, e meu irmão disse à minha mãe: ‘Diga a esse homem para ir para casa’. Porque, sabe, ele não se conectava com a gente.”
Robert Duvall (à direita) e Mary Badham em “To Kill a Mockingbird” (1962)
Divulgação
Apesar das expectativas familiares, Duvall seguiu seu próprio caminho. “Eu era péssimo em tudo, menos em atuar – mal conseguia terminar a escola”, disse à PEOPLE em 1977. Após servir no Exército durante a Guerra da Coreia, estudou artes dramáticas no Principia College, em Illinois, e depois se mudou para Nova York para treinar com Sanford Meisner no Neighborhood Playhouse. Entre seus colegas estavam Dustin Hoffman, Gene Hackman e James Caan, com quem manteve amizade por toda a vida.
O talento de Duvall chamou a atenção do dramaturgo Horton Foote, que o indicou para interpretar Boo Radley em To Kill a Mockingbird, marcando sua estreia no cinema. Sobre seu método de atuação, Duvall declarou à PEOPLE em 1984: “Quero que meu trabalho seja verdadeiro. Puro. Sem uma nota falsa do começo ao fim.”
Robert Duvall em ‘O Poderoso Chefão Parte II’, de 1974
Divulgação
Ele conquistou o Obie em 1965 pelo papel em A View from the Bridge e estreou na Broadway em 1966 com Wait Until Dark. Nos anos 1960, atuou em filmes como Bullitt e Bravura Indômita, e ganhou destaque com MASH* (1970) e THX 1138 (1971). Em 1972, viveu Tom Hagen em O Poderoso Chefão, papel que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar, reprisado na sequência de 1974.
Francis Ford Coppola, que dirigiu Duvall em O Poderoso Chefão e Apocalypse Now, disse à PEOPLE em 2003: “Os atores entram no personagem em momentos diferentes – na primeira semana, na terceira semana. Bobby já está pronto depois de uma ou duas tomadas. É tudo o que ele precisa.”
Robert Duvall em ‘Network’, de 1976
Divulgação
Duvall comentou sobre o clássico: “Quando estávamos mais ou menos um terço das filmagens de O Poderoso Chefão, eu disse: ‘Acho que estamos fazendo algo realmente especial aqui, algo que vai perdurar por muito tempo’. Eu sentia que estávamos fazendo um filme muito importante.”
Em Apocalypse Now (1979), ele interpretou o Tenente-Coronel Kilgore, gravando a icônica frase “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã” em apenas algumas tomadas. Pelo papel, recebeu sua segunda indicação ao Oscar.
Robert Duvall (ao centro) em ‘Apocalypse Now’, de 1979
Divulgação
Em 1977, em busca de papéis principais, Duvall estrelou American Buffalo na Broadway, afirmando: “As pessoas ficam me perguntando: ‘Por que desistir quando você está em alta?’ Espero que isso me consiga papéis melhores no cinema.” Ainda assim, ele refletia sobre a carreira: “Ser um McQueen ou um Redford, não sei. Eles fazem a mesma coisa o tempo todo. Eles fazem sempre a mesma coisa, e isso deve ser entediante.”
Duvall recebeu sua terceira indicação ao Oscar por O Grande Santini (1980) e dirigiu Angelo, Meu Amor (1983). No mesmo ano, venceu o Oscar de Melhor Ator por Tender Mercies, comentando: “Acho que o principal motivo pelo qual quero o Oscar é pelo poder artístico e pela liberdade que ele proporciona. O direito de escolher o próprio diretor, de ter controle sobre o projeto.”
Robert Duvall com seu Oscar em 1984
Divulgação
Entre seus outros filmes estão Network (1976), Dias de Trovão (1990), A Letra Escarlate (1995), Sling Blade (1996), Impacto Profundo (1998), Obrigado por Fumar (2005) e Jack Reacher (2012). Ele foi indicado ao Oscar por O Apóstolo (1997) e, em 2014, por O Juiz, ao lado de Robert Downey Jr.
Robert Duvall com seu Emmy em 2007.
GettyImages
Mesmo nos últimos anos, Duvall continuou atuando, participando de filmes como Viúvas (2018), O Pálido Olho Azul (2022) e Trapaça (2022). Na TV, recebeu cinco indicações ao Emmy, vencendo duas vezes pela minissérie Broken Trail.
Robert Downey Jr. (à esquerda) e Robert Duvall em ‘O Juiz’, de 2014
Divulgação
Duvall foi casado quatro vezes. Sua união mais recente foi com Luciana Pedraza, desde 2005. Sobre a vida aos 90 anos, disse à PEOPLE: “O que mais amo? Não sei se amo alguma coisa em específico, mas o dia a dia com minha maravilhosa esposa. Ela cuida de mim, e eu tenho bons amigos e tento me exercitar e me manter em forma. Estou sempre vivendo bem.”
Robert Duvall deixa sua esposa Luciana.
Robert Duvall em ‘Viúvas’, de 2018
Divulgação
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