A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), permanece internada no Instituto do Coração (InCor-HCFMUSP) para investigação de um quadro infeccioso, mas apresenta condição de saúde estável e sem febre desde o último domingo (22). De acordo com a assessoria do hospital, a ministra passou a noite bem, e os exames médicos indicam melhoras, embora a internação continue para a realização de novos procedimentos.
Detalhes da Internação e Equipe Médica
Sônia Guajajara foi hospitalizada no sábado (21) após manifestar mal-estar, febre alta e dor abdominal. Desde a sua admissão, a evolução clínica tem sido favorável, com a melhora dos sintomas e estabilidade dos sinais vitais. O acompanhamento médico está a cargo do cardiologista Sérgio Timerman e do infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano. A previsão de alta não foi divulgada.
Transição Política e Legado na Pasta Indígena
Paralelamente à sua recuperação, Sônia Guajajara confirmou em 20 de outubro sua intenção de deixar o Ministério dos Povos Indígenas até 30 de março para concorrer à reeleição como deputada federal por São Paulo. Eloy Terena, secretário-executivo da pasta, é o cotado para assumir o cargo.
A ministra avaliou sua gestão destacando a retomada da demarcação de terras indígenas e a desintrusão de invasores como principais legados. Enfatizou, sobretudo, a centralidade que a pauta indígena ganhou no debate público e nas políticas governamentais. Ela também mencionou o desafio do impasse jurídico entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional em relação ao marco temporal, que por vezes paralisou as demarcações.
Criação e Avanços do Ministério
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi estabelecido em janeiro de 2023, no início do terceiro governo Lula, com o propósito de elevar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo. A pasta visa assegurar os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas pertencentes a 305 etnias, assumindo a gestão direta das políticas de demarcação e proteção de povos isolados.
Sob sua liderança, foi registrado um avanço significativo nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos, superando as 11 homologações da década anterior.
Cronograma de Demarcações de Terras Indígenas
O MPI detalhou o cronograma de homologações:
Em **2023**, seis áreas foram oficializadas em abril: Arara do Rio Amazônia (AC), Kariri Xocó (AL), Rio dos Índios (RS), Tremembé da Barra do Mandaú (CE), Uneiuxi (AM) e Ava Canoeiro (GO). Em setembro, seguiram Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM).
Em **2024**, as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Em **2025**, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas) durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30 em Belém, foram homologados quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).








