Quando o assunto é envelhecimento da pele, o colágeno continua reinando absoluto. Afinal, é a perda dele que favorece o aparecimento de flacidez, rugas e diminuição da firmeza. Mas um novo protagonista começa a ganhar espaço nos congressos internacionais de dermatologia e nos laboratórios de pesquisa: as mitocôndrias.
Se você nunca ouviu falar delas, provavelmente já sentiu quando deixaram de funcionar como antes. Elas são pequenas organelas presentes dentro de praticamente todas as células do corpo e responsáveis por produzir ATP, a molécula que fornece energia para que desempenhem suas funções. No popular, são as “usinas de energia” das células.
Pode parecer um conceito distante da rotina de skincare, mas é justamente aí que está a mudança. A nova geração de pesquisas sugere que uma pele saudável depende menos de fabricar mais colágeno e mais de manter as células capazes de produzi-lo. Não por acaso, esse novo olhar começa a ganhar força justamente em um momento em que a medicina estética também troca o conceito de “anti-idade” por longevidade saudável. Em vez de agir apenas sobre as marcas já instaladas, a proposta agora é preservar a capacidade biológica da pele de funcionar bem por mais tempo.
“A energia vem antes; a estrutura é consequência dela”, resume a dermatologista Maria Bussade. “O colágeno é uma proteína estrutural. Já a mitocôndria é quem produz a energia necessária para que a célula consiga fabricar esse colágeno. Sem energia celular, não existe síntese adequada.” Essa mudança de perspectiva acompanha um dos maiores consensos atuais da biologia do envelhecimento. Em 2023, a atualização do artigo Hallmarks of Aging, publicada na revista Cell, colocou a disfunção mitocondrial entre os principais mecanismos responsáveis pela degradaç dos tecidos. Em outras palavras, conforme as mitocôndrias perdem eficiência, as células deixam de produzir energia suficiente para manter processos essenciais como reparo, regeneração e resposta ao estresse.
Embora o envelhecimento mitocondrial aconteça ao longo de toda a vida, ele parece ganhar velocidade justamente na transição menopausal. A queda do estrogênio interfere diretamente no funcionamento dessas organelas. Com menor eficiência energética, o fibroblasto — a célula responsável por fabricar colágeno e elastina — passa a trabalhar menos. Resultado: perda de firmeza, maior dificuldade de cicatrização, pele mais fina, opaca e com menor capacidade de recuperação.
“Com o tempo, e principalmente com a queda hormonal da menopausa, as mitocôndrias produzem menos energia e mais radicais livres. O fibroblasto precisa dessa energia para sintetizar e organizar o colágeno. Quando ela falta, toda a estrutura da pele fica comprometida”, explica Maria Bussade. Além da redução hormonal, fatores como radiação ultravioleta, poluição, tabagismo, noites mal dormidas e estresse crônico também aceleram o desgaste mitocondrial. Além da redução hormonal, fatores como radiação ultravioleta, poluição, tabagismo, noites mal dormidas e estresse crônico também aceleram o desgaste mitocondrial.
Quem faz procedimentos estéticos há anos costuma perceber uma mudança estranha. O tratamento continua sendo o mesmo, mas os resultados parecem menos intensos do que eram aos 40 anos. Segundo a dermatologista Calu Franco, isso faz sentido biologicamente. “Durante muito tempo, a dermatologia concentrou seus esforços em estimular a produção de colágeno. Hoje entendemos que o colágeno é apenas um produto da atividade celular. Não adianta estimular se a célula responsável por produzi-lo não estiver funcionando em sua máxima performance energética.”
Esse raciocínio ajuda inclusive a explicar por que algumas pessoas respondem muito melhor aos bioestimuladores e às tecnologias do que outras. “Nada do que fazemos em consultório é colágeno propriamente dito. Nós estimulamos para que o próprio organismo o produza. Essa é uma das razões pelas quais existem bons e maus respondedores. A capacidade energética da célula faz diferença nessa resposta”, explica a dermatologista.
Nos últimos anos, diversos estudos começaram a investigar maneiras de preservar ou restaurar a função mitocondrial. Pesquisas experimentais publicadas em revistas como Nature Aging e Cell Metabolism mostram que melhorar a bioenergética celular pode favorecer mecanismos de reparo dos tecidos e reduzir sinais associados ao envelhecimento. Embora boa parte dessas descobertas ainda esteja restrita ao laboratório, elas vêm guiando uma nova geração de tecnologias dermatológicas.
Como esse conceito já chegou ao skincare
Embora ainda estejamos nos primeiros capítulos da chamada beleza mitocondrial, alguns pilares já fazem parte da prática dermatológica. O primeiro deles continua sendo o fortalecimento da barreira cutânea. Uma pele bem hidratada sofre menos inflamação e protege melhor as células do estresse ambiental.
Em seguida vêm os antioxidantes, que reduzem o excesso de radicais livres produzidos tanto pelo envelhecimento quanto pela exposição solar. Os retinoides seguem como um dos tratamentos mais bem estabelecidos para estimular renovação celular e síntese de colágeno.
E começam a surgir ativos desenvolvidos especificamente para apoiar o metabolismo energético das células, incluindo ingredientes relacionados ao NAD⁺, à Coenzima Q10, à niacinamida, à urolitina A e formulações que procuram modular o funcionamento mitocondrial. A fotobiomodulação com LED vermelho e infravermelho também integra esse movimento, com estudos mostrando aumento da atividade mitocondrial e da produção de ATP.
Para Calu Franco, esses cuidados funcionam como quatro pilares complementares. “Quando protegemos a barreira cutânea, reduzimos o estresse oxidativo, estimulamos a renovação celular e damos suporte à função mitocondrial, criamos um ambiente biológico muito mais favorável para que a pele responda melhor aos tratamentos e preserve sua capacidade regenerativa.”
A maior mudança da dermatologia regenerativa não está em abandonar o colágeno, mas compreender o que vem antes dele. Afinal, uma célula sem energia produz menos colágeno, repara menos danos e responde pior aos tratamentos. O futuro da beleza caminha para dar às células energia para que façam, sozinhas, aquilo que sempre souberam fazer.
7 produtos que traduzem a nova geração da dermatologia regenerativa, inspirada na longevidade celular:
Lancôme Absolue Longevity MD Reset Serum
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Um dos lançamentos que melhor traduzem o conceito de beleza mitocondrial. Sua fórmula incorpora a urolitina A (Mitopure®), ingrediente estudado por seu potencial de favorecer a renovação mitocondrial e a eficiência energética das células da pele.
Sisleÿa Longevity Essential Serum
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Inspirado na ciência da longevidade, aposta em preservar o funcionamento das células ao longo do tempo para melhorar firmeza, luminosidade e qualidade global da pele. É um dos exemplos mais sofisticados dessa mudança de paradigma.
La Prairie Skin Caviar Liquid Lift
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A nova versão do clássico sérum da marca combina PDRN de caviar e Caviar Micro-Nutrients para apoiar os mecanismos naturais de reparo celular. O foco deixa de ser apenas corrigir rugas e passa a preservar a vitalidade da pele.
NAD Longevity Sérum, Adcos
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Inspirado nas pesquisas sobre NAD⁺, molécula essencial para a produção de energia celular, aposta em fortalecer a capacidade de regeneração da pele ao longo do tempo. Representa uma das primeiras iniciativas nacionais a incorporar o conceito de longevidade celular ao skincare.
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Mais do que um sérum antienvelhecimento tradicional, trabalha para preservar o funcionamento global da pele por meio de ativos vegetais inspirados na fisiologia celular. Não atua diretamente na bioenergética mitocondrial, mas dialoga com a tendência de estimular a longevidade cutânea.
Shiseido Future Solution LX Total Regenerating Cream
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Muito antes de o tema ganhar destaque, a Shiseido já direcionava suas pesquisas para a longevidade celular. A linha busca fortalecer a capacidade natural de regeneração da pele, favorecendo respostas mais eficientes ao envelhecimento.
Estée Lauder Re-Nutriv Ultimate Diamond Transformative Energy Creme
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A proposta do produto gira em torno da energia da pele. Em vez de atuar apenas sobre os sinais visíveis do envelhecimento, procura favorecer o metabolismo celular para manter viço, firmeza e capacidade de reparo.









