Se você gosta de banho quente e demorado, talvez seja hora de rever esse hábito. Com a idade e, principalmente, com as mudanças hormonais da menopausa, ela passa a produzir menos óleo e também tem mais dificuldade para reter água. É por isso que ressecamento, repuxamento, coceira e aquele aspecto mais crepeado (ou craquelado) aparecem com mais facilidade. Depois dos 50, a pele pede mais de delicadeza.
Confesso que essa mudança na minha rotina de banho tem sido mais desafiadora do que eu imaginava. O tempo prolongado embaixo da água quente, bem quente na verdade, sempre foi meu ritual para desestressar no final do dia. Mas os efeitos na pele foram ficando cada vez mais intensos, a ponto de me fazer enfrentar a água morna — fria, para meu gosto — e ser mais rápida dentro do box. “Depois dos 50, o banho deve ser pensado não apenas como limpeza, mas também como preservação da barreira cutânea”, diz a dermatologista Calu Franco. O segredo nessa fase, segundo ela, está em limpar sem retirar demais e hidratar na hora certa.
Aquele banho bem quente pode ser uma delícia, especialmente no inverno, mas está longe de ser uma boa escolha para a pele madura. “A água com temperatura alta e o banho prolongado removem parte dos lipídios naturais da pele e favorecem o ressecamento”, explica Calu. A recomendação é água morna e banho curto, de cinco a dez minutos. Não precisa olhar o relógio no chuveiro, mas vale evitar transformar o banho em uma sessão de relaxamento de meia hora.
Aqui entra uma mudança que pode parecer estranha no começo: nem todo centímetro do corpo precisa ser esfregado e ensaboado intensamente todos os dias. “Recomendo concentrar a limpeza principalmente nas regiões de maior necessidade, como pescoço, axilas, partes íntimas e pés”, diz a dermatologista. Braços e pernas, especialmente quando estão secos, podem receber uma limpeza mais suave, sem aquela fricção vigorosa. E esqueça a ideia de que quanto mais espuma e atrito, melhor a limpeza. “Prefiro que a limpeza seja feita com as mãos, sem buchas ou escovas.”
Foco na fórmula, não no formato
Líquido, em barra ou óleo? Para a dra. Calu, o que importa mesmo é o que existe dentro da embalagem. Uma das opções que ela mais recomenda são os syndets, produtos de limpeza formulados para serem mais suaves e preservar melhor os lipídios da barreira cutânea. “O sabonete comum pode ter uma ação desengordurante mais intensa e remover não apenas resíduos e impurezas, mas também componentes lipídicos importantes para a proteção da pele”, explica. Na prática, procure produtos suaves, com pouca fragrância e ingredientes hidratantes. Glicerina, ceramidas, pantenol, esqualeno e óleos vegetais são alguns dos ativos que podem aparecer nas fórmulas.
Óleos de banho enxaguáveis e produtos cremosos também podem ser boas escolhas, principalmente no inverno. Já sabonetes muito adstringentes, antibacterianos ou perfumados demais não precisam entrar na rotina diária sem indicação específica.
O hidratante não é opcional
Talvez esse seja o passo mais importante de todos: seque o corpo apenas pressionando suavemente a toalha, sem esfregar, e passe o hidratante enquanto a pele ainda estiver levemente úmida. “Aplicar o hidratante nos primeiros minutos pós-banho ajuda a reduzir a perda de água e a restaurar a barreira cutânea”, explica Calu.
Para a pele 50+, ela prefere fórmulas mais consistentes, especialmente quando existe ressecamento. Ceramidas, glicerina, ácido hialurônico, manteigas vegetais e ureia estão entre os ingredientes que podem ajudar. Pernas, braços, cotovelos e pés costumam pedir atenção especial. A hidratação também pode melhorar bastante a aparência da pele que começa a ficar mais fina e com textura crepeada. “Uma pele bem hidratada fica mais luminosa, confortável e elástica, e o aspecto crepeado pode melhorar bastante”, afirma.
Depois dos 50, a esfoliação corporal não precisa desaparecer, mas também não deve virar uma obrigação semanal para todo mundo. “Pode ser feita, inclusive semanalmente em algumas pessoas, mas a frequência deve respeitar a sensibilidade e a necessidade de cada pele”, afirma Calu. Se a pele estiver muito seca, vermelha, descamando ou coçando, é melhor diminuir a frequência ou dar uma pausa.
Também vale prestar atenção ao tipo de esfoliante. Partículas grandes e ásperas aumentam o atrito; partículas menores e mais delicadas tendem a ser mais gentis. Outra possibilidade são produtos com ácido lático ou ureia, em concentrações adequadas. A regra é simples: “Mais intensidade não significa necessariamente mais resultado”, diz a dermatologista.
A melhor rotina de banho para a pele madura é aquela que consegue limpar sem desorganizar a barreira cutânea e repor a hidratação antes que ela comece a reclamar. Conforto é um sinal de que você está no caminho certo.
Confira uma lista de bons produtos para levar para o banho:
Loção de Limpeza Gentle Skin Cleanser Wash, Cetaphil, R$ 130
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Uma limpeza suave que combina glicerina, pantenol e niacinamida. A glicerina ajuda a atrair e reter água, enquanto o pantenol contribui para manter a hidratação e o conforto da pele. Já a niacinamida é interessante por seu papel no suporte à barreira cutânea. A fórmula também utiliza um agente de limpeza suave
Bioderma Atoderm Gel Douche, R$ 150
A proposta aqui é uma limpeza confortável, especialmente interessante para peles que ficam secas com facilidade, já que traz niacinamida na composição. É o tipo de produto que combina com a recomendação de escolher a fórmula, e não o formato, como critério principal.
La Roche-Posay Lipikar Cleansing Oil AP+, R$ 180
Textura suave que combina bem com a proposta de limpar sem retirar demais a proteção natural da pele. Com um ingrediente patenteado que preserva o equilíbrio da pele. É especialmente interessante no inverno ou para quem percebe ressecamento e sensação de repuxamento depois do banho.
Eucerin pH5 Óleo de Limpeza para Banho, R$ 120
A textura mais emoliente ajuda a tornar a limpeza menos agressiva, sem transformar o produto em substituto automático do hidratante que vem depois. Traz tecnologia que protege as defesas naturais da pele.
Caudalie Vinotherapist Manteiga Corporal, R$ 180
Uma alternativa mais indulgente para quem gosta de hidratantes encorpados, mas não quer abrir mão de uma experiência sensorial. A textura de manteiga conversa diretamente com a recomendação da dermatologista de apostar em fórmulas mais consistentes quando a pele madura está especialmente seca.
ISDIN Ureadin 10 Loção Hidratante, R$ 120
A ureia é um dos ingredientes citados pela Dra. Calu para uma hidratação corporal mais intensa, e aqui ela é protagonista. Uma alternativa interessante para pernas, braços, cotovelos e outras áreas que ficam ásperas ou muito secas.

