• Com franja e camadas que dão movimento, wolf cut virou o corte do momento


      Faz algum tempo que os fios estão cada vez mais livres e despojados. Texturas naturais, cabelos em camadas e volumosos tornaram-se características cada vez mais presentes nas produções de beleza das famosas. Agora, quem domina a cena é o Wolf Cut, corte que resgata referências dos anos 1980 e que a geração Z tem adotado com entusiasmo, impulsionado por narrativas da cultura pop.

      “A primeira vez que chegou até mim foi a partir de uma referência da Sophie Thatcher em ‘Yellowjackets’, depois veio a Odessa A’zion em ‘I Love LA’ e agora com a Allie de ‘Off Campus’ — está sendo umas quatro por semana”, conta Sayuri Nagado, cabeleireira do salão Cubo, em São Paulo. “Ele se popularizou porque é uma forma de deixar o cabelo mais comprido, com bastante movimento. Para quem gosta de uma frente mais trabalhada e de camadas mais marcadas, é uma maneira de dar personalidade sem perder comprimento”, explica.

      Para o hair designer Ricardo Rodrigues, o Wolf Cut é mais do que um corte. “Ele continua em alta porque é um statement. Simboliza uma beleza autêntica, com movimento e uma ‘imperfeição chique’.” E essa imperfeição — com franja bagunçada e camadas soltas — é todo o charme do estilo. “O Wolf Cut é a fusão de duas coisas: o despojado do shaggy com a ousadia do mullet”, explica Ricardo. “A técnica consiste em volume e textura no topo e na coroa, criando camadas curtas que emolduram o rosto e trazem leveza. Em contraste, o comprimento é preservado nas laterais e na nuca, com pontas leves e desconectadas que garantem um movimento fluido. A franja é o acabamento final — pode ser uma curtain bang, mais aberta e suave, ou uma microfranja, mais gráfica — sempre respeitando as particularidades de cada rosto.”

      O nome do corte, que se traduz como “corte do lobo”, teve origem na Coreia do Sul no início dos anos 2000. Com o retorno da estética Y2K, ele voltou com força total, sendo adotado por Billie Eilish e por grupos de K-Pop.

      Apesar de poder ser confundido com o Shaggy, a diferença está na harmonia entre as partes: enquanto o Shaggy apresenta camadas mais uniformes, que criam uma silhueta arredondada, o Wolf Cut tem mais contraste, com volume concentrado no topo e nuca mais alongada.

      A primeira questão que surge ao ver uma famosa adotar um novo corte é: será que funciona para o meu tipo de cabelo? “A beleza do Wolf Cut está na sua adaptabilidade”, afirma Rodrigues. “É um corte democrático, que se encaixa bem em cabelos lisos e finos, aos quais confere volume — desde que as pontas não sejam excessivamente afinadas.” Para Nagado, esse tipo de cabelo exigirá mais dedicação na produção. “Em cabelos lisos, será necessário usar mais produto, o que dá um pouco mais de trabalho”, diz.

      “Em cabelos cacheados e crespos, a técnica se torna uma escultura, em que cada camada é pensada para valorizar a definição e criar uma silhueta poderosa. O segredo está em personalizar o corte para cada tipo de fio e formato de rosto”, explica o hair designer.

      O corte, no entanto, encontra sua maior expressão nos cabelos ondulados, já que as camadas ativam as ondas naturais e potencializam o movimento.

      Além de ser democrático quanto à textura, o Wolf Cut também o é em relação ao comprimento — pode ser feito tanto em cabelos longos quanto curtos. “É possível criar uma releitura do bob, com o topo cheio de textura e uma nuca suavemente alongada. No comprimento médio, ele alcança sua versão mais versátil, super prática para o dia a dia. Já nos cabelos longos, cria-se um jogo de texturas com camadas superiores que conferem movimento e leveza, sem sacrificar o impacto do comprimento”, explica Rodrigues.

      Quanto à manutenção, Ricardo a classifica como moderada, já que o charme do corte está justamente em não parecer perfeito demais. “A franja, que é o ponto focal, geralmente pede um retoque a cada três ou quatro semanas. O corte completo pode ser redesenhado a cada dois ou três meses.” Para Nagado, a frequência depende do quanto você se apaixonar pelo estilo. “O Wolf Cut cresce muito bem — tenho clientes que cortam uma vez por ano. Porém, com o tempo, ele se descaracteriza: perde o frame do rosto, a costeleta e a franja. Mas, se você viciar, pode querer refazer a cada três meses, de tão bonito que fica.”

      Cara Delevingne — Foto: Getty Images
      Cara Delevingne — Foto: Getty Images

      Odessa A'zion — Foto: Getty Images
      Odessa A’zion — Foto: Getty Images

      Sophie Thatcher — Foto: Getty Images
      Sophie Thatcher — Foto: Getty Images

      Maju Trindade — Foto: Reprodução/Instagram
      Maju Trindade — Foto: Reprodução/Instagram

      Miley Cyrus com cabelo curtinho (Foto: Getty Images) — Foto: Vogue
      Miley Cyrus com cabelo curtinho (Foto: Getty Images) — Foto: Vogue

      Como estilizar o Wolf Cut

      Apesar de seu visual rebelde e propositalmente imperfeito, alguns cuidados são importantes para valorizá-lo ao máximo. Segundo Rodrigues, tudo se resume a abraçar a textura. “O styling diário é surpreendentemente simples — muitas vezes, um bom finalizador e o movimento das mãos já são suficientes. Um spray texturizador faz toda a diferença. Em cabelos lisos, uma mousse leve e o uso do difusor, secando de baixo para cima, ajudam a criar aquele ar ‘bagunçado intencional’. Para finalizar e dar brilho sem pesar, basta uma gota de óleo nas pontas.” Para cabelos crespos e cacheados, vale investir em finalizadores que controlem o frizz e deixar os fios secarem naturalmente ou com difusor. Em casa, a manutenção é simples: máscaras de nutrição semanalmente para manter a saúde dos fios e aparos regulares.



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