Cada residência deixou uma camada diferente na pintura e em mim, pessoalmente. Lisboa, em 2017, foi a minha primeira residência; ela me preparou para o que veio depois, me ensinou a prestar mais atenção à luz, me apresentou a um dos meus lugares preferidos, o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, e marcou o início da minha pesquisa com as pinturas rupestres. Paris, em 2018 e em 2022, ampliou meu contato com uma tradição pictórica muito presente no ambiente, o que me levou a pensar mais na densidade da imagem e na presença material da pintura. Ali também dei continuidade à pesquisa das pinturas rupestres, nas cavernas, onde o filósofo Georges Bataille situou o nascimento simbólico da arte. Além disso, foram alguns dos melhores meses da minha vida: tive encontros de almas e aprendi a língua quase por osmose. Nova York, em 2025 e 2026, por sua vez, trouxe outra pulsação: intensificou a escala, o ritmo e a urgência do trabalho, me lançou em um contexto mais acelerado e me empurrou para decisões mais diretas com muitas interlocuções com outros artistas, curadores e galeristas. E, para fechar com chave de ouro, a exposição que construí durante a residência ainda ganhou um belo e sensível artigo no The New York Times.









