Demi Moore, de 63 anos, voltou a falar sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres em Hollywood, quase três décadas depois de se tornar a atriz mais bem paga do mundo. Durante o Step Up Inspiration Awards 2026, realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 25 de setembro, a artista relembrou sua decisão de exigir uma remuneração que considerava justa e refletiu sobre as críticas que enfrentou na época.
Em conversa com a apresentadora Danielle Robay, Moore explicou que não enxergava sua busca por igualdade salarial como uma batalha, mas como uma forma de reivindicar o reconhecimento pelo próprio trabalho.
“Acho que a linguagem é realmente importante. E acho que, quando encaramos algo como uma luta, a oposição gera mais oposição. Então, não acho que eu estivesse lutando por algo”, afirmou. “Era simplesmente questionar: por que não? Por que eu não deveria receber o que mereço? Se eu conquistei, não deveria simplesmente receber?”, acrescentou a atriz.
Em 1996, Demi Moore recebeu aproximadamente US$ 12,5 milhões para protagonizar o filme Striptease, tornando-se a atriz mais bem paga de Hollywood naquele período. Apesar da conquista histórica, o cachê milionário provocou uma série de críticas, intensificadas pelo fato de a artista interpretar uma dançarina erótica no longa-metragem.
Anos depois, em entrevista ao podcast The Interview, do The New York Times, Moore relembrou a repercussão negativa e questionou por que sua conquista profissional havia sido recebida daquela maneira. “Acho que o interessante é que, quando me tornei a atriz mais bem paga, por que, naquele momento, a escolha foi me derrubar?”, declarou.
A atriz também refletiu sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres que conquistam espaços tradicionalmente ocupados por homens na indústria cinematográfica. “Não levo isso para o lado pessoal. Acho que qualquer pessoa que tivesse estado na posição de ser a primeira a alcançar esse tipo de igualdade salarial provavelmente teria se sentido prejudicada”, afirmou.
Moore acredita que a temática de Striptease contribuiu para a intensidade das críticas. “Mas, como fiz um filme que abordava o mundo do striptease e o corpo, fiquei extremamente envergonhada”, relembrou.
Durante sua participação no Step Up Inspiration Awards, a artista voltou ao assunto para destacar a importância de questionar situações de desigualdade. Segundo ela, sua postura não tinha como objetivo criar conflitos, mas incentivar mudanças na forma como o trabalho feminino era valorizado.
“Às vezes, se fizermos a pergunta certa, obteremos a resposta. Mas, se não fizermos a pergunta, não conseguiremos mudar nada. Então, para mim, tratava-se de tomar uma posição em vez de entrar numa briga”, concluiu.









