Maison Margiela, Matières Fécales, Hodakova e Julie Kegels exploram a beleza para além do belona PFW


    Das pálpebras trompe-l’œil (termo francês para “engana-olhos”) vistas na Hodakova às próteses espinhosas da Matières Fécales, a temporada de verão da semana de moda de Paris tem sido marcada por produções que esticam o conceito de bonito ou feio e flertam com o surrealismo, o estranho e até o grotesco. Tanta, que ultrapassava a linha do cabelo e descoloria também os lábios. É um perfume de estranheza tem pairado sobre as belezas da semana de moda parisiense, que começou na última segunda-feira (28.09) e se estende até a próxima terça (06.10).

    No desfile da Maison Margiela, quase todos os modelos surgiram empalidecidos com uma maquiagem que parecia feita só com (muita!) base. Entre os mais de 60 modelos que desfilaram sem nenhuma cor no rosto, apenas três surgiam como contraponto, bebendo dos códigos da arte drag, com expressões faciais teatralizadas, cílios longuíssimos e lábios volumosos.

    Em uma das apresentações mais comentadas até aqui, Matières Fécales armou uma passarela inédita na Place de la République para falar de liberdade, identidade e empoderamento dos mais vulneráveis. Na beleza, os visuais transumanos de proporções alien-like, que são parte do DNA disruptivo da marca, voltaram à cena. Desta vez, com próteses que imitavam spikes perfurando a pele e surgiam como moicano, no zigomático ou espalhadas pelo corpo.

    Unhas, tranças e dreadlocks extralongos compunham as produções, bem como grillz nos dentes, lentes de contato pretas e vermelhas, delineados faraônicos e máscaras de referência punk. Além de símbolos hindus, uma ligação direta com a história familiar de Steven Raj Bhaskaran, metade da dupla por trás da etiqueta.

    Já na Hodakova, em uma coleção que subvertia as funções habituais dos objetos, as modelos desfilaram com um segundo par de olhos posicionado sobre suas pálpebras. Criados pelo beauty artist Thomas de Kluyver, eles apareciam ora desenhados diretamente sobre a pele, ora reproduzidos em pedaços de papel, criando a ilusão de um olhar fixo à frente, mesmo quando os olhos estavam cerrados.

    E na passarela de Julie Kegels, o hair artist Louis Gwehy encarou o desafio à gravidade com rabos de cavalo baixos que pareciam flutuar em uma impressão quase surrealista. Para alcançar o resultado, ele lançou mão de fios de nylon e extensões capilares estrategicamente posicionados.



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