Charli XCX ainda não soltou o álbum (isso só acontece em 24 de julho, oficialmente), mas já entregou capa, singles e um bocado de suspense pra manter todo mundo em polvorosa. Enquanto o disco não chega, resolvemos separar as curiosidades que já valem virar assunto: o rock que ninguém garante que é rock mesmo, o trio impossível da capa, o crachá de moda que ela carrega há anos e a lista de filmes que prova que ‘cinema’ no título não é força de expressão. Confira abaixo:
Em time que tá ganhando, não se mexe
Charli voltou pra parceria que já deu certo: A.G. Cook e Finn Keane, os cúmplices do cult Brat, de novo no comando, com as primeiras sessões rolando desde outubro de 2025. Em Wink Wink, uma das faixas já divulgadas, os dois dividem produção executiva com a própria britânica. E o suspense que ela mesma criou já tem final: no talk show francês Quotidien, ela apostou que ninguém ia adivinhar quem era o convidado do disco, nem com mil chances, e a resposta saiu nesta terça (07), junto com a tracklist completa. A faixa final, No One Lasts Forever, tem participação do cineasta David Cronenberg, mestre do horror corporal e ídolo declarado de Charli. As outras faixas são Rock Music, SS26, Card Declined, Camera, 2007, I’m Afraid, Yeah, Persona e Magic Metal Montana. Pra esquentar os motores antes do lançamento, ela armou The Listening Events, uma série de sessões de escuta em cinemas independentes ao redor do mundo entre os dias 9 e 11 de julho, passando por Nova York, Los Angeles, Londres, Paris, Berlim, Tóquio, Sydney, São Paulo e Milão. Depois do disco vem a turnê, batizada “Music, Fashion, Film Tour”, a quinta da carreira dela, com estreia em 31 de julho no Lollapalooza de Chicago.
A foto de capa é assinada por Aidan Zamiri, o escocês que dirigiu o documentário The Moment e os clipes mais recentes de Charli, e junta três nomes que representam, cada um, um pilar do título: John Cale, do Velvet Underground, puxando o “music”; Marc Jacobs, o “fashion”; e Martin Scorsese, o “film”. O retrato em preto e branco foi descrito por ela como um dos momentos mais especiais da carreira. Detalhe que dá um gostinho a mais: Cale nunca tinha cruzado com Jacobs ou Scorsese antes daquele dia de sessão em Nova York, em abril. Em entrevista à Vogue britânica, a cantora revelou que o título do álbum veio cedo no processo criativo, e, nas palavras dela, soa divertido e provocativo ao mesmo tempo em que fala de ambição e glamour sem perder o lado pessoal.
Depois de toda discussão sobre o álbum ser rock ou não, e pelo que escutamos, não é exatamente um rock no sentido tradicional, Charli se defendeu numa publicação nas redes dizendo que só tinha repetido o refrão de Rock Music, nunca anunciado um álbum do gênero. O papo pegou mesmo assim, e ela entrou no jogo em entrevista à Rolling Stone norte-americana, dizendo que nunca pensou em gênero de forma binária, que isso é uma ideia meio antiga, e que o disco é só ela, Cook e Keane colocando a deles em prática. A crítica, por enquanto, descreve os singles como um cruzamento de pop-rock, electropop e hyperpop, o que confirma que a base eletrônica e os efeitos vocais de sempre seguem ali, só que com guitarra puxando a frente. Na mesma entrevista, ela fez questão de esclarecer que outra frase que deu o que falar (“a pista de dança morreu”) é sobre a relação dela com a era Brat, não um atestado de óbito da cena eletrônica, até porque o marido, George Daniel, comanda um selo de música dance.
Marc Jacobs foi quem deu a Charli a primeira campanha de moda da vida, e ela já estrelou três pra grife, sempre elogiando a habilidade dele de falar a língua da cultura jovem. O clipe de “SS26” segue nessa toada. Usa o vocabulário visual das semanas de moda de luxo, com Charli ao mesmo tempo desfilando e assistindo a si mesma na plateia, num clima de desfile prestes a sair dos trilhos. O nome do single, aliás, é a própria sigla da temporada primavera-verão 2026, o presente virado profecia de colapso. E teve capítulo recente pra fechar essa presença no circuito: Charli e Madonna foram vistas juntas, fumando e se abraçando (e passando calor), no desfile de menswear primavera-verão 2027 da Saint Laurent, encerrando de vez qualquer rumor de climão entre as duas. Soma-se a isso o fato de que ela é embaixadora global da Valentino Beauty desde 2024.
E o cinema na vida da Charli?
Se “music” e “fashion” já vêm com currículo, “film” também tem feito parte da vida da cantora. Além do documentário citado acima, Charli protagonizou este ano o reboot de Faces da Morte, rodado nos Estados Unidos ao lado de Barbie Ferreira, e Erupcja, drama polonês dirigido por Pete Ohs que ela também coassina no roteiro. Fora essas duas estreias, ela ainda soma papéis em 100 Nights of Hero e no thriller I Want Your Sex, de Gregg Araki, além de projetos em produção com nomes como Takashi Miike e Romain Gavras. E, para fechar o disco, o cineasta canadense David Cronenberg, dono de clássicos como “A Mosca” e do recente “The Shrouds“, que Charli já citou como favorito. Ele aparece na faixa de encerramento, No One Lasts Forever, que também chama atenção por outro motivo: enquanto o resto do disco é enxuto, com faixas entre 1min55 e pouco mais de 2 minutos, essa fecha o álbum com 5min42, quase o dobro da duração média das outras. O que exatamente Cronenberg faz ali dentro ainda é surpresa.

