• Olivia Rodrigo cria festival próprio com lineup só de mulheres e defende projeto como missão pessoal


      Olivia Rodrigo está à frente de uma nova iniciativa no cenário musical. A cantora e compositora de 23 anos anunciou o Daisy Chain Fields – um festival de música sem fins lucrativos formado exclusivamente por artistas e bandas lideradas por mulheres – durante entrevista para uma reportagem de capa da Pitchfork publicada online nesta segunda-feira (22.06). No mesmo conteúdo, ela falou sobre carreira, vida pessoal e outros projetos.

      Inspirado no Lilith Fair – festival dos anos 1990 idealizado por Sarah McLachlan e conhecido por reunir artistas como Bonnie Raitt, Sheryl Crow e Erykah Badu – o Daisy Chain Fields acontece em 29 de agosto no Great Park, em Irvine, na Califórnia. Para Rodrigo, o evento representa a concretização de um sonho e também uma forma de reação diante do que ela chama de “crueldade no mundo” atual.

      “Sinto que é realmente a minha vocação”, disse a vencedora do Grammy à Pitchfork. “Eu… tenho esse sonho de fazer esse festival há muito tempo.”

      Com curadoria assinada pela própria cantora, o festival reúne um line-up de destaque que inclui Chappell Roan, KATSEYE, Doechii, Mitski, Rachel Chinouriri, Bikini Kill, Garbage, The Breeders, Eli, Not For Radio, Santigold, Die Spitz e Quiet Light. O cartaz oficial também anuncia “convidados especiais” como Stevie Nicks, Karen O (do Yeah Yeah Yeahs) e McLachlan.

      Na entrevista, Rodrigo explicou que a ideia é que o nome do festival represente a força coletiva feminina: artistas “sendo fortes e belas juntas”. Ela descreve a estética do evento como uma fusão de referências culturais e musicais.

      Olivia Rodrigo — Foto: Reprodução/Instagram
      Olivia Rodrigo — Foto: Reprodução/Instagram

      A atmosfera que ela quer criar, por sua vez, é “uma mistura de hippie, riot grrrl e punk, tipo uma patricinha encontrando o movimento riot grrrl”.

      “Todos os artistas envolvidos não estão lucrando com isso”, disse Rodrigo à publicação. Em vez disso, a renda da venda de ingressos para o Daisy Chain Fields será destinada a organizações sem fins lucrativos ” dedicadas a promover e defender os direitos de mulheres e meninas “, incluindo a Planned Parenthood e o Centro Johns Hopkins para Saúde Indígena.

      “Eu simplesmente sinto que precisamos de algo realmente positivo para fazer e ver, e as meninas precisam de modelos incríveis que apoiem outras mulheres e que estejam envolvidas em algo que seja realmente alegre, musical e voltado para a comunidade”, disse a estrela pop à Pitchfork.”Acredito firmemente que a alegria, a comunidade e a música podem ser os motores de uma mudança significativa e espero que este festival seja exatamente isso”, acrescentou ela mais tarde ao anunciar o evento nas redes sociais.

      Em outro trecho da reportagem, Rodrigo também comentou seu mais recente álbum, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love. Há rumores de que a artista teria se separado do ator Louis Partridge – com quem foi vista pela primeira vez em outubro de 2023 – durante a criação do disco, que começa com faixas mais românticas e evolui para uma segunda metade mais melancólica.

      Olivia Rodrigo — Foto: Getty Images
      Olivia Rodrigo — Foto: Getty Images

      Ela não comentou diretamente os rumores de término – que surgiram em dezembro de 2025 – e a reportagem da Pitchfork também não aprofunda o tema. Ainda assim, a cantora refletiu sobre o processo criativo.

      “Eu… obviamente comecei a compor com todas essas esperanças – tipo, ‘Este vai ser um álbum 100% de amor’. E obviamente não terminou assim – vocês podem ler nas entrelinhas disso.”

      “Eu simplesmente acho que um disco é uma cápsula do tempo de onde você está na sua vida, e eu jamais desonraria um capítulo da minha vida”, disse o vencedor do Grammy à Pitchfork sobre o sucessor de Sour e Guts. “Esse é o meu trabalho – registrar a minha vida, e acho que seria desonesto [ignorar uma parte dela].”

      Olivia Rodrigo — Foto: Getty Images
      Olivia Rodrigo — Foto: Getty Images

      Questionada se o álbum traz uma visão mais pessimista sobre o amor, Rodrigo afirmou que, apesar das mudanças de tom, o projeto termina de forma esperançosa – ainda que ela reconheça incertezas pessoais.

      E, ao ser questionada se o álbum oferece uma visão fatalista do amor, Rodrigo acrescentou que acredita que ele termina com uma nota de esperança, antes de acrescentar sobre si mesma: “Não sei agora na minha vida normal, mas…”.

      A cantora também compartilhou reflexões sobre relações pessoais e aprendizado emocional ao longo do processo criativo.

      Olivia Rodrigo — Foto: Neilson Barnard
      Olivia Rodrigo — Foto: Neilson Barnard

      “Quando você conhece alguém muito intimamente, as partes de si que você não gosta vêm à tona – não é como se ‘Está tudo ótimo’. Isso realmente coloca você diante de um espelho.”

      Sobre o single “The Cure”, do álbum You Seem Pretty Sad, ela afirmou: “Acho impossível fazer uma música como essa sem estar em um relacionamento íntimo e maduro.”

      “Eu não tinha tido essa experiência e não sabia nada disso sobre mim nos últimos álbuns”, acrescentou Rodrigo.

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