Tem gente que dá vontade de saber o que andam lendo, e Cleo Pires é uma dessas. Além de atriz e cantora, é autora do livro de contos Todo Mundo Que Amei Já Me Fez Chorar, escrito com Tatiana Maciel, e leitura boa é assunto sério por ali. Quem gosta de um livro sabe que não existe atalho melhor pro próximo do que a dica de quem lê de verdade. Foi o que Cléo trouxe para a Vogue Brasil: cinco leituras que deixaram marca, de Silvia Federici a Djamila Ribeiro, com Stephen King na lista. Abaixo, as indicações da artista.
Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici
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Ensaio da feminista e ativista italiana Silvia Federici, publicado no Brasil pela Editora Elefante em tradução do Coletivo Sycorax. O livro investiga a transição do feudalismo para o capitalismo e a caça às bruxas dos séculos XV e XVI, e sustenta que a perseguição a centenas de milhares de mulheres foi peça central da acumulação primitiva e do controle sobre o corpo e a reprodução femininos. O título vem de “A Tempestade“, de Shakespeare. “Me deu um entendimento ‘raiz’ de como o ‘projeto de mundo’ que a gente vive começou e se tornou o que é, a partir da perspectiva da mulher na sociedade, com referências e dados históricos”, diz Cléo.
Quebrando o Hábito de Ser Você Mesmo, de Joe Dispenza
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O pesquisador e palestrante Joe Dispenza combina física quântica, neurociência, epigenética e química cerebral para defender que pensamentos e emoções moldam a realidade e que é possível reprogramar o cérebro para romper padrões e crenças. O livro reúne teoria e exercícios de transformação pessoal. “Une física quântica, experimentos científicos registrados e experiências empíricas do autor, pra provar que a teoria ‘it from bit’ do físico teórico John Archibald Wheeler é o que compõe a estrutura essencial da realidade objetiva que conhecemos, e usa isso como ferramenta de transformação pessoal”, explica ela.
Sobre a Escrita, de Stephen King
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Parte memória, parte manual de ofício. King percorre a própria formação, da infância aos bastidores de seus romances e ao acidente que quase o matou em 1999, e reúne conselhos sobre escrever, com a leitura no centro deles. “Eu amo tudo desse autor. Acho ele mágico”, diz Cléo sobre King. “O jeito que ele dá voz aos personagens, as histórias tétricas, a estética verbal que se transforma facilmente num filme na sua própria cabeça de tanta imagem clara que ele propõe através da linguagem.”
Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, de Djamila Ribeiro
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Reúne um ensaio autobiográfico inédito e artigos que Djamila Ribeiro publicou no blog da CartaCapital entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa parte da infância e da adolescência para discutir o que chama de silenciamento, e ao longo do livro trata de interseccionalidade, cotas raciais, intolerância às religiões de matriz africana e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil. “Me ajudou a me situar muito didaticamente, digamos assim, no universo do feminismo negro, que em muitos aspectos se encontra com o feminismo branco mas tem suas próprias questões complexas que eu nunca vou poder saber sendo uma mulher branca”, conta Cléo. Mesmo com um tema profundo, ela define como “um livro pequeno e uma leitura gostosa e reveladora pela voz franca e suave que a autora tem escrevendo”.
O Perigo de Estar Lúcida, de Rosa Montero
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A escritora e jornalista espanhola Rosa Montero mistura ensaio e memória para investigar as ligações entre criatividade e instabilidade mental. A partir da própria experiência e de leituras de psicologia, neurociência e biografias de artistas, ela desenvolve a teoria da “tempestade perfeita”, em que a explosão criativa reúne fatores químicos e situacionais irrepetíveis. “Me identifiquei demais com as histórias que se passam na cabeça da autora enquanto a vida cotidiana acontece ao redor e com ela”, diz Cléo, que define o livro como “muito divertido, inteligente, profundamente humano”.
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