Foram tapetes vermelhos mundo afora e meses de expectativa. Agora “A Odisseia” chega, enfim, aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16.07), como um dos lançamentos mais aguardados do ano. No primeiro filme desde “Oppenheimer”, Christopher Nolan adapta um dos poemas mais influentes já escritos, atribuído ao grego Homero. A produção traz Matt Damon como Odisseu e reúne Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron e muitas outras estrelas no elenco.
Por trás das câmeras, a produção acumula histórias: é o primeiro longa rodado inteiramente em película IMAX 70mm, tem trilha sonora sem orquestra, o rapper Travis Scott no elenco e cenas em cinco países. Além disso, um orçamento estimado em US$ 250 milhões ajudou a colocar de pé a megaprodução, que Nolan planejava havia anos. A seguir, tudo o que você precisa saber antes de assistir.
A trama tem cerca de 2.700 anos e acompanha os dez anos de viagem de Odisseu, rei de Ítaca, na jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. Nesse retorno para seu reino e sua família, a mulher, Penélope, e o filho, Telêmaco, ele enfrenta a ira de Poseidon, o deus dos oceanos, lutando contra monstros e criaturas míticas. Matt Damon vive Odisseu, o rei estrategista e inventivo do poema, e Anne Hathaway é a rainha Penélope. Completam o elenco Tom Holland, como o jovem Telêmaco, além de Robert Pattinson, Zendaya, Charlize Theron, Lupita Nyong’o, Samantha Morton, John Leguizamo, Travis Scott, Jon Bernthal e Mia Goth.
A entrada de Zendaya, aliás, rendeu uma boa história de bastidor. Tom Holland já estava escalado como Telêmaco quando, numa reunião, Nolan perguntou se ele se incomodaria caso a atriz interpretasse a deusa Atena, e pediu que o próprio Holland fizesse o convite. Chegando em casa, ele entregou o roteiro a ela e pediu que lesse especificamente as partes de Atena. Foi assim que Zendaya descobriu que tinha sido escalada para o filme.
Um plano de infância em IMAX
Com orçamento estimado em US$ 250 milhões, A Odisseia é o primeiro longa da história rodado inteiramente com câmeras IMAX de película 70mm. Nolan alimentava esse plano desde os 16 anos, quando viu um documentário de aviação em tela IMAX. Em Oppenheimer (2023), só parte das cenas usou o formato. Para viabilizar as filmagens, a IMAX criou uma câmera nova, mais leve e silenciosa, batizada de Keighley. O nome homenageia David Keighley, o primeiro chefe de qualidade da empresa, que colocou as câmeras IMAX nas mãos de Nolan mais de 20 anos atrás. Ele morreu em agosto de 2025, aos 77 anos, pouco depois de revisar o material do filme, que Nolan dedicou a ele.
As filmagens aconteceram em vários países de paisagens históricas, incluindo Itália, Grécia, Marrocos, Islândia e Escócia, além dos Estados Unidos. Na Itália, a locação era tão distante dos camarins que a equipe precisava fazer trilha e escalada diariamente. Anne Hathaway usava um vestido complexo demais para remontar depois de uma caminhada, então, a pedido de Nolan, subia de helicóptero todos os dias para gravar.
Travis Scott interpreta um bardo, o cantor que, na Grécia Antiga, narrava as façanhas dos heróis ao som da lira. Nolan escalou o rapper de propósito: para ele, aquele artista da voz e da performance é um parente distante do rap. A mesma lógica guiou a trilha, que foge da orquestra de propósito. Nolan pediu ao compositor Ludwig Göransson, seu parceiro de longa data, que abrisse mão dela, já que a orquestra não existia no tempo da história. Para montar o som, Göransson alugou 35 gongos de bronze e recorreu a sintetizadores. Numa das ideias, o som da lira se transforma no estalar do arco de Odisseu.









