Neste sábado (10.10), o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher convida à reflexão sobre as raízes históricas e sociais da violência de gênero no Brasil. A literatura nacional ajuda a compreender como essa realidade foi construída ao longo do tempo. É o caso de Sobreviventes e guerreiras, de Mary del Priore que recupera a trajetória das mulheres na história do país, ou de Ideologia e feminismo: A luta da mulher pelo voto no Brasil, de Branca Moreira Alves, que examina a conquista de direitos políticos, enquanto Lélia Gonzalez, em Por um feminismo afro-latino-americano, e Djamila Ribeiro, em Quem tem medo do feminismo negro?, discutem as relações entre gênero, raça e poder. Confira a lista abaixo:
Ideologia e feminismo: A luta da mulher pelo voto no Brasil
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Branca Moreira Alves – Editora Vozes (2025)
Tendo como eixo central o direito ao voto feminino, conquistado no Brasil apenas em 1932, este livro da historiadora e cientista política Branca Moreira Alves foi publicado originalmente em 1980 e ganhou uma nova edição. Na obra, a autora analisa, sob uma perspectiva crítica, a luta das mulheres por cidadania e representação política.
Sobreviventes e guerreiras: Uma breve história da mulher no Brasil de 1500 a 2000
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Mary del Priore – Editora Planeta (2020)
A historiadora Mary del Priore faz um recorte preciso e ousado nesta obra que analisa o papel da mulher no território brasileiro durante cinco séculos, do Brasil colônia à contemporaneidade. Ela propõe uma visão crítica em torno dos marcadores temporais que fizeram do país um terreno fértil para o patriarcado e suas violências.
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Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz – Pallas Editora (2026)
Lançado recentemente, o livro registra uma conversa aberta e sem filtros entre duas das maiores vozes da nossa literatura. Olhando para as suas próprias vidas, Conceição e Eliana expõem o que é ser mulher negra no Brasil de hoje, tocando em pontos cruciais como o racismo estrutural, a solidão na maternidade, o envelhecimento e as tentativas diárias de silenciamento.
Por um feminismo afro-latino-americano
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Lélia Gonzalez – Editora Zahar (2020)
Precursora do feminismo negro no Brasil, Lélia Gonzalez (1935–1994) é uma leitura fundamental, especialmente nos estudos e debates sobre gênero, raça e classe no Brasil e na América Latina. Publicada com organização de Flávia Rios e Márcia Lima, a obra reúne uma coletânea de textos produzidos por Lélia durante o período de redemocratização do país, entre 1979 e 1994.CARD6
Maria Bonita: Sexo, violência e mulheres no cangaço
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Adriana Negreiros – Editora Objetiva (2018)
A jornalista traz uma perspectiva feminista para a trajetória da mulher mais emblemática do sertão. Longe de ser apenas um romance de cinema, o livro se aprofunda na realidade da primeira mulher a integrar o bando de Lampião e desconstrói mitos ao revelar as dinâmicas de violência, o machismo e as experiências reais vividas tanto por Maria Bonita quanto pelas outras mulheres que faziam parte do grupo.
Quem tem medo do feminismo negro?
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Djamila Ribeiro – Companhia das Letras (2018)
Djamila Ribeiro traz um recorte indispensável para o debate de gênero no Brasil: o racismo. Neste livro, a filósofa resgata memórias de sua infância e juventude para expor as violências enfrentadas pelas mulheres negras. A obra conecta essas vivências a temas muito atuais, discutindo desde a intolerância religiosa e a mobilização nas redes sociais até as origens e diálogos do feminismo negro nos EUA e no Brasil.
Gênero e Desigualdades: Limites da Democracia no Brasil
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Flávia Biroli – Boitempo Editorial (2018)
Mercado de trabalho, maternidade, sexualidade e participação política estão entre os temas abordados neste ensaio da cientista política Flávia Biroli, que analisa como a desigualdade de gênero atravessa e questiona o funcionamento da democracia no Brasil. A autora também destaca pautas centrais do movimento feminista desde a década de 1970 e examina o avanço de agendas conservadoras na América Latina em anos recentes.
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Bianca Santana – Editora Fósforo (2025)
O romance da jornalista e escritora paulista entrelaça memória familiar e pesquisa histórica. A narrativa acompanha a trajetória de Polu, uma mulher negra e nordestina que deixa o interior da Bahia em 1946 para recomeçar a vida em São Paulo. Ao alternar as vozes de avó e neta, a obra constrói um retrato sensível sobre o cotidiano do trabalho doméstico, a busca por dignidade e as batalhas que moldam a identidade das mulheres brasileiras.
Breve história do feminismo no Brasil e outros ensaios
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Maria Amélia de Almeida Teles – Alameda Casa Editoria (2017)
Maria Amélia de Almeida Teles é uma das referências mais importantes do feminismo no país e viveu a história na pele como presa política durante a ditadura militar. Publicado originalmente em 1993, o livro ganhou uma edição ampliada com artigos recentes que analisam os rumos atuais da luta das mulheres. A autora constrói um panorama do movimento, sempre conectando os debates de hoje com as cicatrizes profundas deixadas pelo golpe de 1964.
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