• WAGS: por que estamos fissurados nestas mulheres?




      Kim Kardashian, Victoria Beckham e Virgínia Fonseca: o que estas três mulheres têm em comum? Para além de negócios milionários, bolsas que ultrapassam os seis dígitos e visibilidade que impacta milhões de pessoas, elas também contam em seus respectivos históricos afetivos, com relacionamentos com grandes nomes do esporte de alta performance como o piloto de Formula 1, Lewis Hamilton, o jogador britânico David Beckham e o futebolista Vini Jr., considerado o Melhor do Mundo pela FIFA em 2024. Atualmente, o estilo de vida glamouroso das parceiras de esportistas relevantes ganhou o protagonismo nas redes, e a hashtag #WAGS, wives and girlfriends (que na tradução seria esposas e namoradas), tornando-se febre de buscas. Da procura das novas gerações por pertencimento, passando pelo desmonte das pautas em torno de raça e classe, as WAGs representam as princesas do contemporâneo, que fazem das suas narrativas nas plataformas digitais um verdadeiro conto de fadas.
      Engana-se quem pensa que WAG é algo recente. O termo se popularizou em 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, quando os veículos da época começaram a cobrir mais de perto a vida das esposas de jogadores célebres. Considerada a primeira na arte de ser uma WAG, Victoria Beckham, que na época era apenas uma ex-Spice Girl, era a que mais chamava atenção dos tabloides. A partir de então, as mulheres que eram somente esposa de esportistas, tornaram-se protagonistas de programas de TV que retratavam a vida de suas famílias.
      Cerca de 15 anos depois, com a evolução de debates em torno da emancipação feminina e de quebra de padrões estéticos, o estereótipo destas mulheres ganhou uma curva decrescente, dando espaço para provocações em torno do que é ser “mulher real”.
      Georgina Rodríguez
      Getty Images
      A grande responsável pelo retorno das WAGs ao imaginário coletivo foi Georgina Rodríguez, esposa do astro Cristiano Ronaldo. Quando a modelo e influenciadora argentino-espanhola estrelou em 2022, o reality “Eu, Georgina” pela Netflix, trouxe novamente para os holofotes o estilo de vida nada simples seu e de sua família, com direito a excursões para o show da Rosalía e fila A dos principais desfiles do mundo.
      No Brasil, com a proximidade da Copa Mundo, a Globoplay lançou a série “Convocadas”. O especial adentra os bastidores das esposas dos atletas convocados para o torneio como Tainá Castro, esposa de Éder Militão, Duda Fournier, casada com Lucas Paquetá, e Natália Belloli, parceira do Raphinha, que para mim, foi a grande surpresa do doc-reality.
      Alexandra Leclerc
      Getty Images
      Seja do futebol, seja da F1, mulheres como Bruna Biancardi e Alexandra Leclerc têm despertado o interesse de territórios como a moda e o mercado de luxo, não só pelas suas construções de estilo, mas também por todo o ecossistema que as rodeiam.
      O que está por trás do interesse nestas personalidades? Confira abaixo três motivos que fazem das WAGs as grandes estrelas do momento.

      Selecionar uma imagem
      Kim Kardashian e Lewis Hamilton
      Getty Images
      1- O desejo da audiência pelo inalcançável:
      As WAGS têm uma presença digital poderosa, utilizando plataformas como Instagram e TikTok para compartilhar suas vidas, estilos e ideias. Diferentemente de outros tempos, nos quais elas eram coadjuvantes em aparições com os seus amados, agora aproveitam essas plataformas para criar conteúdo que vão além de ser a parceira de um atleta, fazendo de seus estilos de vida que misturam luxo e casual, aspiração para uma comunidade leal, que gera um engajamento significativo.
      2- A retomada de padrões conservadores por gerações mais jovens:
      A geração que acompanhou o florescer sobre pautas em torno das libertações de gênero, raça e classe, é a mesma que romantiza nas redes conteúdos sobre as “trad wife”, que reverenciam a subserviência da mulher nas relações, e as “esposas troféu”. Diante dos desafios da desconstrução do feminino, paira no ar uma provocação sobre o quanto as mulheres do contemporâneo estão sobrecarregadas para equilibrar os pratos entre vida profissional, afetiva, familiar e emancipação financeira.
      Para parte desta juventude, ter o suporte financeiro de um cônjuge é uma espécie de acolhimento e resgate de valores tradicionais.
      3- O estilo de vida de sucesso atrelado ao empreendedorismo feminino:
      Cada vez mais, essas mulheres estão sendo reconhecidas como figuras independentes que conquistam seus próprios espaços, sobretudo as que investiram no território do empreendedorismo e promoveram suas iniciativas pessoais. Muitas WAGS aproveitaram a sua visibilidade para começar negócios próprios, seja na moda, beleza, ou até mesmo em áreas como saúde e bem-estar. Esse espírito empreendedor é admirado, mesmo que ainda bastante romantizado, e inspira outras mulheres a perseguirem seus próprios sonhos, criando um modelo de sucesso que vai além do papel tradicional. Esses elementos se combinam para formar uma imagem poderosa e multifacetada das WAGS, contribuindo para o fascínio e a atenção contínuos que elas atraem na sociedade atual.
      É essencial discutir como a representatividade das WAGs nas mídias digitais e tradicionais tende a refletir privilégios relacionados a padrões de beleza e raça. Mesmo com o crescente reconhecimento, a maioria destas mulheres que ganham destaque ainda se alinha a padrões hegemônicamente brancos. Essa realidade invisibiliza muitas mulheres negras, que, apesar de suas conquistas, frequentemente permanecem à margem quando se trata de afeto e visibilidade. Essa falta de representação levanta questões em torno do pertencimento afetivo e sobre a diversidade nos espaços midiáticos, que nem mesmo nos lugares de excepcionalidade prestigiam narrativas racializadas.
      Ainda que as WAGS se firmem como figuras inspiradoras e “empoderadas” com muitas aspas, é crucial questionar o papel da indústria na perpetuação de padrões que por muitas vezes excluem. Ampliar a discussão para que possamos entender quais mulheres conseguem ascender socialmente e financeiramente a partir de uma relação, e porquê homens, quando conquistam o sucesso, tendem a buscar afetividade em corpos que não são racializados, é o passo inicial para uma conversa que busque esta reparação.
      Que todas as mulheres sejam reconhecidas e valorizadas, independentemente de seus status afetivos. Que sejamos protagonistas de nossas histórias e não apenas aquelas que se moldam a ideais restritos. Que todas nós possamos encontrar no amor romântico ou não, um final feliz.
      Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Vogue
      Canal da Vogue
      Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!



      Source link

      Compartilhe:

      WhatsApp
      Facebook
      Telegram
      Twitter
      Email
      Print
      VEJA TAMBÉM

      Vagas de emprego em São Paulo - SP

      Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
      Últimas Notícias