As Sanções dos EUA e o Colapso Econômico da Venezuela: Análise de Causas e Impactos

A Venezuela tem sido alvo de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, denominadas Medidas Coercitivas Unilaterais, com o objetivo de promover mudanças de poder e a retirada de Nicolás Maduro da presidência. Cercos econômicos prolongados são uma crescente ferramenta de política externa para pressionar ou derrubar governos, prática também observada em nações como o Irã. Para entender como essas ações fragilizam economias e o tecido social, a Agência Brasil consultou especialistas e analisou estudos científicos e relatórios da ONU.

Contexto e Objetivos das Sanções

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Uerj, destaca que o propósito dessas sanções é "asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas", visando gerar descontentamento social que possa culminar em uma mudança de regime. A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do planeta, enfrenta essas medidas sob a justificativa de proteção dos direitos humanos, defesa da democracia e combate ao narcotráfico por parte dos Estados Unidos.

Detalhes do Bloqueio Econômico Implementado

O bloqueio financeiro e comercial imposto à Venezuela obstruiu o financiamento da indústria petroleira, impôs restrições ao refinanciamento da dívida do país, dificultou transações monetárias no mercado mundial e congelou ativos venezuelanos no exterior, por vezes transferindo-os para o controle da oposição. Portugal e Reino Unido também adotaram o bloqueio de ativos, com o Banco Central da Inglaterra confiscando 31 toneladas de ouro venezuelano avaliadas em US$ 1,2 bilhão. Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, levando ao bloqueio de canais financeiros internacionais, e proibiu o pagamento de dividendos ao governo venezuelano provenientes da Citgo, filial da estatal petroleira PdVSA nos EUA, que foi liquidada para credores internacionais, medida classificada por Caracas como "roubo".

A Crise Econômica e o Debate sobre Suas Causas

A Venezuela enfrentou uma recessão devastadora entre 2013 e 2022, que consumiu aproximadamente 75% do seu PIB, impulsionando a emigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20% da população. Especialistas divergem sobre a principal responsabilidade pela crise, entre a gestão dos governos chavistas e o impacto das sanções norte-americanas.

Cronologia e Intensificação das Sanções

A recessão no país começou no segundo semestre de 2014, impulsionada pela crise dos preços do petróleo. Contudo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram adotadas em agosto de 2017, sob o governo de Donald Trump, restringindo o acesso ao mercado financeiro norte-americano. Novas sanções foram aplicadas a setores como ouro, minérios, petróleo e diesel entre 2018 e 2020. Adicionalmente, o governo dos EUA implementou sanções secundárias, atingindo empresas de outros países que negociavam com a Venezuela.

Análise do Impacto pelas Sanções

O economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece o peso da gestão interna na recessão anterior a 2017. Entretanto, pondera que o embargo econômico teve um papel significativo no aprofundamento da crise. Ele argumenta que atribuir a migração venezuelana unicamente ao regime desconsidera o impacto fundamental das sanções nas condições de vida. Suas pesquisas demonstram que as sanções têm sido um dos principais fatores que contribuíram para o colapso econômico da Venezuela e o declínio dos padrões de vida desde 2012, influenciando os padrões migratórios ao interromper as receitas do petróleo, essenciais para financiar importações. Rodríguez calcula que a reimposição de sanções de pressão máxima poderia levar a uma emigração adicional de 1 milhão de venezuelanos nos próximos cinco anos.

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