A maioria dos principais países europeus, com a notável exceção da Espanha, tem oferecido apoio político e de defesa aos Estados Unidos e a Israel em suas ações contra o Irã, buscando uma “mudança de regime”. Essa postura tem sido expressa através da justificação dos ataques contra Teerã, sem condenação explícita das violações do direito internacional, e pela exigência de que o Irã aceite as condições impostas por Washington e Tel Aviv.
Posicionamento dos Países Europeus Chave
Reino Unido
O Reino Unido não condenou os ataques direcionados ao Irã, mas repudiou as retaliações de Teerã contra bases norte-americanas no Oriente Médio. Londres também tem fornecido suporte logístico a Washington a partir de suas bases na região.
França
A França, enquanto anuncia o aumento de seu próprio arsenal de ogivas nucleares, critica o programa nuclear iraniano, que o Irã afirma ter fins pacíficos. O presidente Emmanuel Macron enviou dois navios de guerra ao Oriente Médio para participar de “operações defensivas” europeias.
Alemanha
A Alemanha afirmou não ser o momento de “dar lições” aos parceiros que agrediram o Irã. Berlim declarou compartilhar dos objetivos dos EUA e de Israel de derrubar o governo de Teerã, oferecendo-se para contribuir com a “recuperação econômica do Irã”.
Ações Conjuntas e Outros Países
Em uma declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido exigiram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã, indicando que tomariam ações “defensivas” necessárias para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”. Portugal concedeu autorização para o uso de suas bases militares nos Açores pelos EUA, enquanto a Itália tem buscado apoio de defesa com países do Golfo, além de criticar a “repressão” iraniana contra sua população civil.
Análise da Postura Europeia
O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a Europa assumiu uma posição clara em favor dos EUA e de Israel ao classificar o governo iraniano como criminoso em meio ao conflito. Ele observa que França, Alemanha e Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não convocaram reuniões sobre o tema, alinhando-se à postura americana de evitar discussões nas Nações Unidas e omitindo uma condenação ética da guerra.
Teixeira ressalta a preocupação com a fragilidade do direito internacional, dado que ataques ao Irã ocorreram em paralelo a negociações com os Estados Unidos, esvaziando o sentido de diálogo com o adversário. Em resposta a esse apoio europeu, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um aviso para que navios de EUA, Israel e países europeus não cruzem o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio mundial de petróleo.
Motivações e Impacto da Barganha Política
Segundo o professor Chico Teixeira, os países europeus buscam barganhar sua posição com Washington, ‘às custas do Irã’, em um contexto de antigas ameaças de Donald Trump, como a possível anexação da Groenlândia ou o desmantelamento da OTAN. A União Europeia, neste cenário, tenta demonstrar seu valor como aliada. Contudo, Teixeira pondera que a Europa se tornou ‘dispensável’, pois os Estados Unidos não a veem como essencial.
A Alemanha é apontada como a nação com a posição mais pró-EUA, evidenciada pela visita do premier Friedrich Merz à Casa Branca durante o conflito. Merz demonstrou ‘subserviência’ ao classificar o governo iraniano como ‘assassino e bárbaro’, algo que ele não fez em relação às ações de Israel em Gaza.
A Divergência da Espanha
O governo espanhol de Pedro Sánchez manteve uma posição distinta de seus parceiros europeus, proferindo duras críticas à guerra liderada por Donald Trump e Benjamin Netanyahu. A Espanha esclareceu que sua postura não implica apoio ao regime dos aiatolás, mas sim uma divergência fundamental quanto à condução do conflito.









