Lula Defende União do Sul Global para Transformar Lógica Econômica Global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da união entre os países em desenvolvimento, especialmente os que compõem o Sul Global, como estratégia para redefinir a lógica econômica mundial. A declaração foi feita na madrugada de domingo (22), em um momento crucial antes de finalizar sua visita à Índia e seguir para a Coreia do Sul.

Durante uma coletiva de imprensa, Lula abordou as persistentes dificuldades enfrentadas por nações menos desenvolvidas em negociações com superpotências. Ele enfatizou que países como Índia, Brasil e Austrália, entre outros do Sul Global, precisam atuar conjuntamente. Segundo o presidente, a negociação direta com potências globais historicamente resulta em desvantagem.

Lula argumentou que o poder de transformação reside nos países em desenvolvimento, capazes de alterar a estrutura econômica global. Baseando-se em "500 anos de experiência colonial", ele destacou que a região permanece colonizada sob perspectivas tecnológica e econômica. O presidente defendeu a construção de parcerias com nações que possuem similaridades, visando somar potenciais e fortalecer o grupo.

Papel do Brics na Nova Ordem Econômica

Na avaliação do presidente, o bloco Brics tem sido fundamental para viabilizar essa nova lógica econômica mundial. Lula descreveu o grupo, antes marginalizado, como em processo de consolidação, com a criação de um banco próprio. Ele reconheceu a "inquietação" dos Estados Unidos, atribuída principalmente à China, mas reiterou que o objetivo não é uma "nova Guerra Fria", e sim o fortalecimento do grupo para uma possível integração ao G20 ou a formação de um "G30".

Lula desmentiu categoricamente a intenção de criar uma moeda comum para o Brics. O que se defende, segundo ele, é a realização de comércio entre os países membros utilizando suas próprias moedas, visando reduzir dependências e custos, uma iniciativa que, embora possa gerar resistência inicial dos EUA, será objeto de debate.

Fortalecimento do Multilateralismo e da ONU

O presidente brasileiro reforçou seu posicionamento em favor do multilateralismo e do fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU). Para Lula, a ONU precisa recuperar sua legitimidade e eficácia, especialmente em sua função primordial de manter a paz e a harmonia global. Ele relatou ter contatado líderes globais para articular uma resposta coletiva aos conflitos na Venezuela, Gaza e Ucrânia.

Lula enfatizou que nenhum país, independentemente de sua dimensão, deve ter permissão para interferir unilateralmente na soberania de outras nações. A ONU, nesse contexto, é vista como um instrumento essencial para a resolução desses problemas, demandando maior representatividade para atuar com eficácia.

Relação Brasil-EUA e Combate ao Crime Transnacional

Sobre as relações com os Estados Unidos, Lula vislumbra a possibilidade de boas parcerias, desde que haja um interesse genuíno dos EUA no combate a organizações criminosas transnacionais, como o narcotráfico. Ele caracterizou o crime organizado como uma "empresa multinacional", sublinhando a necessidade de colaboração da Polícia Federal brasileira com países parceiros.

O presidente declarou que, caso o governo norte-americano esteja disposto a enfrentar o narcotráfico e o crime organizado, o Brasil estará na vanguarda, inclusive pleiteando a extradição de criminosos brasileiros que se encontram em território estadunidense.

Lula defendeu uma relação respeitosa dos EUA com os países da América do Sul e Caribe, uma região pacífica, desprovida de armamentos nucleares e focada no crescimento econômico, geração de empregos e melhoria da qualidade de vida de sua população. Ele pretende discutir esse ponto com Donald Trump em um futuro encontro, questionando o papel dos EUA na região – seja de ajuda ou ameaça, como no caso do Irã. O presidente destacou que o mundo necessita de tranquilidade para combater a fome e a violência contra mulheres, lamentando o elevado número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Sobre a taxação imposta pelos EUA e derrubada por sua suprema corte, Lula afirmou que não lhe compete julgar decisões de tribunais estrangeiros.

Balanço da Visita à Índia

Lula detalhou os encontros com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, classificando as conversas como "extraordinárias e exitosas" para ambos os países. O foco principal foi o fortalecimento das relações comerciais e bilaterais entre Brasil e Índia, sem aprofundar em detalhes de geopolítica internacional. O presidente salientou que ambos os líderes estão cientes das perspectivas um do outro, mas priorizaram os pontos de convergência, em especial a meta de fortalecer as economias para alcançar um alto nível de desenvolvimento.

As reuniões com empresários indianos também foram descritas como "muito positivas", com elogios ao Brasil por parte dos investidores no país.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM

Vagas de emprego em São Paulo - SP

Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
Últimas Notícias