Em uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, expressou o apoio de seu país à maior economia da América Latina e ao Sul Global. Xi enfatizou a importância de manter o papel das Nações Unidas na atual conjuntura internacional. A comunicação foi divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua, ocorrendo dias após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, publicadas no New York Times.
Posicionamento da China e o Sul Global
Segundo a Xinhua, Xi afirmou a Lula que China e Brasil devem proteger os interesses comuns do Sul Global e sustentar conjuntamente a atuação das Nações Unidas em um cenário global turbulento. Esta declaração surge semanas depois que o governo norte-americano buscou processar o presidente venezuelano Nicolás Maduro nos EUA por acusações relacionadas a tráfico de drogas, gerando incerteza política em Caracas.
Repercussões das Ações dos EUA na América Latina
A postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela despertou preocupações entre as nações latino-americanas, temendo intervenções armadas semelhantes em seus territórios. A ação também provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU).
Críticas da ONU e Artigo de Lula
Em entrevista à BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, declarou que os EUA estavam agindo com impunidade, ameaçando os princípios fundadores das Nações Unidas, como a igualdade entre os Estados-membros. Em um artigo de 18 de janeiro no New York Times, Lula defendeu que o futuro da Venezuela, e de qualquer nação, deve permanecer nas mãos de seu povo. Ele ressaltou que, em mais de 200 anos, foi a primeira vez que a América do Sul sofreu um ataque militar direto dos EUA, alertando para a inviabilidade de um mundo de hostilidade permanente.
Desafios à Influência Global e Parceria China-Brasil
Outra ação que tensionou relações foi a ameaça do ex-presidente Trump de usar força para adquirir a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, região onde Xi prometeu novas linhas de crédito e investimentos em infraestrutura.
Xi Jinping reiterou a Lula o desejo da China de continuar sendo uma parceira amiga dos países latino-americanos e caribenhos. O líder chinês destacou a parceria estratégica de 2024, que visa alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética, como um exemplo da solidariedade e cooperação entre as nações do Sul Global.









