• Devastadora Inundação no Himalaia: Causas, Impacto e Esforços de Resgate no Nepal e Tibete

      Uma devastadora inundação repentina atingiu o norte do Nepal e a fronteira com o Tibete chinês, resultando em pelo menos 270 mortos no Nepal e três na China, totalizando 273 vítimas. As autoridades de ambos os países reportam cerca de 1.300 pessoas desaparecidas. A tragédia foi desencadeada por uma avalanche de lama sobre um rio do Himalaia, causando enchentes catastróficas que engoliram casas, estradas e pontes. No lado tibetano, um deslizamento de terra afetou o Porto de Gyirong, um ponto de passagem crucial, bloqueando vias, interrompendo telecomunicações e o fornecimento de energia.

      A Dinâmica da Catástrofe

      O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, confirmou que um terremoto atuou como gatilho, provocando uma avalanche de gelo e rochas no Himalaia. Este evento, por sua vez, causou uma cheia repentina no rio Lhende Khola, que atravessa o Nepal e o Tibete, resultando em enchentes relâmpago nos vales. A agência chinesa Xinhua adicionou que os danos em solo tibetano estão conectados a um deslizamento de terra ocorrido no lado nepalês das montanhas, com impactos estendidos até o condado de Gyirong.

      Autoridades nepalesas alertaram para a possibilidade de uma segunda inundação, visto que o rio Lhende Khola permanece obstruído. Alertas foram emitidos também nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que fazem fronteira com o Nepal, devido à descida de rios do Himalaia para suas planícies.

      Saswata Sanyal, especialista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) em Katmandu, explicou que o rio Lhende Khola transbordou duas vezes em quatorze meses, sendo este evento atual desencadeado por uma avalanche de gelo e rocha de uma geleira nepalesa, que bloqueou o rio e liberou uma onda de água. Sanyal enfatizou a necessidade de alerta precoce em um Himalaia afetado pelo aquecimento global.

      A região do Himalaia, que inclui o Nepal e países vizinhos, é particularmente suscetível a chuvas fortes, inundações e deslizamentos de terra. Esta vulnerabilidade é acentuada pelo fato de a região estar aquecendo mais rapidamente do que outras partes do mundo devido às mudanças climáticas. Pesquisas recentes indicam um aumento na frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, tempestades intensas e derretimento de geleiras.

      Cientistas em Katmandu constataram, no início do ano, que as geleiras na vasta região do Himalaia Hindu Kush estão derretendo em ritmo acelerado, com as taxas de perda de gelo dobrando desde 2000, principalmente devido ao aumento das temperaturas globais.

      Esforços de Resgate e Ajuda Humanitária

      Residentes de áreas baixas estão sendo evacuados para locais seguros, e aqueles que vivem ao longo do rio foram aconselhados a manter-se em alerta. O Exército do Nepal mobilizou 14 helicópteros e equipes de resgate, embora o terreno montanhoso do país, com seus vales profundos e desfiladeiros estreitos, complique as operações. Helicópteros enfrentam dificuldades para pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure.

      A agência estatal chinesa Xinhua informou que o presidente Xi Jinping ordenou a mobilização de todos os recursos para as operações de resgate, priorizando a busca pelos desaparecidos, o atendimento aos feridos e a minimização das vítimas. A China enviou pelo menos 574 socorristas para a região do Porto de Gyirong, onde os sedimentos do deslizamento criam desafios adicionais.

      Outros países também estenderam auxílio. A Índia está em coordenação próxima com o Nepal para operações de resgate, e a Coreia do Sul planeja enviar uma equipe de resposta rápida composta por funcionários do governo, bombeiros e policiais.

      Vídeos divulgados pela imprensa local e nas redes sociais ilustram a força das torrentes de água, que avançam por vales e montanhas, derrubando pontes, barragens e arrastando construções. O presidente do Nepal, Ramachandra Paudel, expressou sua profunda tristeza pela perda de vidas e bens, apelando ao governo, partidos políticos e agências por uma ação conjunta.

      Fonte: https://veja.abril.com.br

      Compartilhe:

      WhatsApp
      Facebook
      Telegram
      Twitter
      Email
      Print
      VEJA TAMBÉM

      Vagas de emprego em São Paulo - SP

      Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
      Últimas Notícias