O Sistema Único de Saúde (SUS) inicia uma fase decisiva no tratamento do diabetes com a nacionalização da insulina glargina. Esta versão de ação prolongada, que promete maior segurança e praticidade aos pacientes, teve seus detalhes estratégicos apresentados durante o 39º Congresso Nacional do Conasems em Porto Alegre.
A transição, impulsionada pela escassez global da insulina NPH — atualmente utilizada por cerca de 90% dos pacientes do SUS —, foi acelerada por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Esse instrumento colaborativo entre instituições públicas e empresas privadas permite a fabricação nacional de tecnologias estratégicas para a saúde pública.
Segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério, essa oportunidade permitiu uma migração planejada, garantindo a continuidade do tratamento e elevando a qualidade do cuidado oferecido aos brasileiros.
Grupos Prioritários e Expansão
A implementação da insulina glargina ocorre de forma escalonada, priorizando dois grupos iniciais: crianças e adolescentes de 2 a 18 anos com diabetes tipo 1, e pessoas com 70 anos ou mais, diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Essa divisão por faixa etária visa uma transição gradual. À medida que o acesso for consolidado para os grupos iniciais, o público-alvo da iniciativa será ampliado progressivamente.
Antes da expansão nacional, um projeto-piloto foi conduzido a partir de março em Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná. O teste focou em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e idosos acima de 80 anos (tipos 1 e 2), permitindo identificar gargalos logísticos e ajustar o processo de atendimento em condições reais.
Capacitação e Logística
A estratégia de implementação vai além da entrega do medicamento. O Ministério da Saúde estabeleceu um grupo de trabalho dedicado e investiu na capacitação de equipes da Atenção Primária à Saúde e da Assistência Farmacêutica, com cerca de 130 oficinas realizadas em parceria com o Conasems e materiais técnicos de apoio.
A distribuição da insulina aos estados e municípios segue um planejamento baseado em solicitações periódicas. Após o recebimento em cada região, o medicamento fica disponível nas farmácias da Atenção Primária, como as Unidades Básicas de Saúde, conforme a organização municipal.
Benefícios para os Pacientes
A substituição da insulina NPH pela glargina oferece vantagens clínicas significativas. A glargina proporciona cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes, representando o dobro do tempo de ação da NPH em muitos casos. Adicionalmente, ela reduz o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente noturna, e minimiza a oscilação dos níveis de glicose no sangue.
Outras melhorias incluem a simplicidade na rotina de aplicação, pois não exige agitação prévia, ao contrário da NPH, e um menor ganho de peso associado ao tratamento.
Para familiares de pacientes em tratamento com insulina pelo SUS, é importante acompanhar os desenvolvimentos e verificar a elegibilidade para a transição. Conversar com a Unidade Básica de Saúde e entender as diferenças no uso da glargina é fundamental para garantir a continuidade e a correção do tratamento adequado.
Fonte: https://veja.abril.com.br









