Acorda Brasil reúne milhares, pressiona STF e fortalece Flávio

Manifestações do movimento “Acorda Brasil” reuniram milhares de pessoas neste domingo (1º), em ao menos oito capitais, com pautas que incluíram a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria e críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em São Paulo, principal palco do ato, lideranças da direita transformaram a mobilização em demonstração de força política e reforçaram o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal referência do campo conservador para 2026.

Na Avenida Paulista, a concentração começou pouco antes do meio-dia e se consolidou, ao longo da tarde, como o centro simbólico e político das manifestações pelo país. O caminhão de som “Avassalador” reuniu governadores, parlamentares e dirigentes partidários, em um palco que evidenciou a tentativa de unificação da direita em torno de uma agenda comum — anistia, críticas ao STF e oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além de Flávio, discursaram o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), organizador do ato, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) também participaram do evento, reforçando o caráter político da mobilização.

A presença simultânea de pré-candidatos ao Palácio do Planalto no mesmo palanque foi tratada como sinal de convergência estratégica. Caiado afirmou que, caso eleito, seu “primeiro ato” será conceder anistia plena aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Zema, sem citar nomes, declarou que “ninguém no Brasil é intocável”, em referência indireta a ministros do STF. Já Flávio adotou tom eleitoral ao projetar o retorno de Jair Bolsonaro ao Planalto em 2027.

“O silêncio não é mais uma opção. Nós estamos aqui e não vamos desistir do nosso Brasil”, afirmou Flávio Bolsonaro. Em outro momento, dirigindo-se ao pai, acrescentou: “Em janeiro de 2027, você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”.

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Impeachment e críticas aos ministros do STF dominaram os discursos

As críticas ao Supremo e a defesa do impeachment de ministros da Corte foram temas recorrentes nos discursos na Avenida Paulista. Do alto do trio elétrico, lideranças da direita concentraram críticas especialmente em decisões envolvendo os atos de 8 de janeiro e investigações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, afirmou que o “destino” de Alexandre de Moraes não seria apenas o impeachment. “O destino final de Alexandre de Moraes não é impeachment, não. O destino é cadeia”, declarou, sob gritos de “Fora, Moraes” puxados pela multidão. Em outro momento, reforçou: “O Brasil não tem medo de você”.

O parlamentar também direcionou críticas ao ministro Dias Toffoli e defendeu seu impedimento. “Nós estamos aqui também por ‘Fora, Toffoli’”, afirmou, questionando a atuação do magistrado na abertura do inquérito das fake news e mencionando suspeitas envolvendo o Banco Master.

Segundo ele, “se cair um, cai outro”, em referência à possibilidade de avanço simultâneo de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte. “Eu sei que há também uma vontade da esquerda de derrubar o Toffoli, porque eles podem estar brigados, mas eles podem estar achando que a gente vai derrubar um e vai parar. Se a gente derrubar um, cai Moraes, cai todo mundo”, completou.

O senador Flávio Bolsonaro também mencionou a possibilidade de impedimento de magistrados que, segundo ele, tenham extrapolado suas funções. “Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal”, afirmou.

Já o pastor Silas Malafaia classificou o inquérito das fake news como “imoral e ilegal” e chamou Moraes de “ditador da toga”. Ele ainda citou o ministro Dias Toffoli ao criticar supostos conflitos envolvendo contratos privados e defendeu que ambos “tinham que estar afastados do STF”.

“A mulher de Alexandre de Moraes tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master para fazer o quê? Nada. Sabe o que significa isso? Corrupção deslavada. Compra do poder de Alexandre de Moraes”, disse Malafaia.

O pastor afirmou ainda que Moraes, até agora, “não veio a público para dar satisfação dessa imoralidade” e disse que o STF está “desmoralizado” com o escândalo do Banco Master. “Ele [Moraes] foi comprado. Seu poder foi comprado. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli tinham de estar afastados do STF. Não têm moral para julgar ninguém”, completou.

Manifestação busca união da direita em torno do nome de Flávio Bolsonaro

A mobilização na Avenida Paulista também serviu como vitrine para consolidar o senador Flávio Bolsonaro como principal nome da direita para a disputa presidencial de 2026. Este foi o primeiro ato desde que o parlamentar foi indicado por seu pai como nome do PL para a disputa presidencial.

Além de Flávio, outros dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), participaram do encontro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), exaltou o senador e o ex-presidente Jair Bolsonaro ao afirmar que “o time está sendo montado” e que a direita entrará em campo “para ganhar de lavada”.

“O Flávio [Bolsonaro] está escalado, o time está sendo montado e agora a gente entra em jogo, para quê? Para ganhar de lavada e poder fazer uma grande vitória da verdadeira democracia, da liberdade, do avanço do Brasil e do combate à corrupção”, disse.

Em seu discurso, Flávio aproveitou para fazer um aceno a Malafaia. Ainda no ano passado, após a escolha do nome do senador por Jair Bolsonaro, o pastor chegou a declarar que a pré-candidatura era tudo o que Lula gostaria.

“Muitas vezes, as coisas não acontecem do jeito que a gente espera, mas eu acredito tanto que o que está acontecendo no Brasil é um projeto de Deus que eu quero mais uma vez pedir a sua ajuda e os seus conselhos. Você é um professor para todos nós. A sua coragem nos inspira. Vamos juntos resgatar esse Brasil”, disse, antes de abraçá-lo.

O pré-candidato do PL ainda elogiou Caiado, potencial adversário caso o governador de Goiás viabilize a pré-candidatura dentro do PSD. “Caiado, é muita honra estar no mesmo palanque e defender os mesmos ideais que uma pessoa com a sua história. Isso prova que isso aqui não é ato eleitoral. Há aqui dois pré-candidatos juntos que não estão disputando o voto. Estamos pensando no que é melhor para o nosso país”, pontuou.

O governador de Goiás já havia feito um afago em Flávio quando discursou. Caiado disse que seus objetivos são os mesmos daqueles do senador, a quem se referiu como “amigo”. “Aquele que chegar lá (na Presidência), eu já disse: o primeiro ato será anistia plena, geral e irrestrita no dia 1º de janeiro de 2027”, reafirmou.

A anistia é uma prerrogativa do Congresso Nacional, enquanto ao presidente da República cabe a concessão de indulto individual ou coletivo, conforme previsto na Constituição.

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Anistia vira eixo central dos atos, e mobilização se espalha por capitais

A defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro consolidou-se como a principal bandeira do movimento “Acorda Brasil” em todo o país. Além de Caiado, o tema foi repetido por praticamente todos os oradores, que apresentaram a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria como “primeiro passo” para a libertação de presos.

“Nós vamos derrubar o veto da dosimetria”, declarou Nikolas Ferreira, em meio a gritos de “Anistia já”. Para ele, a mobilização nas ruas é instrumento de pressão sobre o Congresso Nacional. “Nós não estamos aqui somente por eleições, estamos aqui por gerações”, completou.

Em Brasília, manifestantes se concentraram em frente ao Museu da República ainda pela manhã. Parlamentares como os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Rogério Marinho (PL-RN), além da deputada Bia Kicis (PL-DF), discursaram em defesa do “perdão aos condenados” e contra o que classificaram como “arbitrariedades”. “Não vamos desistir até que haja justiça”, disse Marinho.

No Rio de Janeiro, o ato reuniu apoiadores em Copacabana. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a cidade de “berço do bolsonarismo” e puxou palavras de ordem como “Fora Lula, Moraes e Toffoli! Anistia já!”.

Em Belo Horizonte, Nikolas voltou a discursar ao lado do governador Romeu Zema, reforçando que “essa geração não vai se curvar”. Salvador, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre também registraram mobilizações, todas com a anistia como eixo comum das manifestações.

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