Como empresa de Toffoli manteve sigilo no STF com Gilmar

A Maridt, empresa ligada ao ministro Dias Toffoli, obteve ontem (27) uma liminar do ministro Gilmar Mendes para suspender a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A decisão barra investigações da CPI do Crime Organizado sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Qual foi a estratégia utilizada pela empresa para levar o caso a Gilmar Mendes?

Em vez de protocolar uma nova ação, que seria sorteada livremente entre os ministros da Corte, a defesa da Maridt fez uma manobra processual. Eles protocolaram o pedido dentro de um processo de 2021, que já estava arquivado e tratava da finada CPI da Pandemia. Como Gilmar era o relator desse processo antigo, ele acabou decidindo sobre o novo pedido, o que especialistas criticam como uma burla ao princípio do juiz natural.

Por que a CPI do Crime Organizado quer investigar a empresa Maridt?

A comissão suspeita que a Maridt funcione como uma empresa de fachada para ocultar o real beneficiário de transações milionárias, apontando o ministro Toffoli como sócio oculto. Há indícios de que a empresa recebeu R$ 35 milhões relacionados a um resort de luxo e pagamentos de escritórios de advocacia que possuem causas no STF. O relator da CPI, Alessandro Vieira, afirma que os irmãos de Toffoli atuariam como laranjas no esquema.

O que o ministro Gilmar Mendes alegou para anular a quebra de sigilo?

Gilmar Mendes justificou que o pedido da CPI foi baseado em fundamentações genéricas e suposições sem provas concretas. Segundo o ministro, a medida era desproporcional e permitiria que os parlamentares acessassem uma infinidade de dados privados, como fotos, vídeos e conversas pessoais, sem que houvesse uma relação direta comprovada entre a empresa e o crime organizado investigado pelo colegiado.

Quais informações deixaram de ser entregues ao Senado com essa decisão?

Com a liminar, a CPI fica impedida de acessar toda a movimentação bancária da Maridt de 2022 até o momento, incluindo transferências para o exterior e saques em espécie. Também foram protegidas as declarações de imposto de renda da empresa e registros telemáticos de plataformas como Google, Apple e Telegram, que poderiam revelar mensagens e e-mails trocados entre os envolvidos.

O que diz o ministro Dias Toffoli sobre as acusações?

Em nota, o gabinete de Toffoli confirmou que ele foi sócio da Maridt, mas afirmou que sua participação foi encerrada legalmente e declarada à Receita Federal. O ministro nega qualquer irregularidade, diz que a lei permite que juízes sejam sócios de empresas (desde que não administrem) e reitera que não possui amizade íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pivô da investigação.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • Empresa de Toffoli direcionou a Gilmar Mendes pedido para manter dados em sigilo

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM

Vagas de emprego em São Paulo - SP

Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
Últimas Notícias