CPI pretende convocar Toffoli e irmãos após mensagens de Vorcaro

O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou nesta quinta (12) que pretende votar requerimentos para convocar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli após a revelação de que o magistrado foi citado em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.

Na véspera, uma apuração apontou que a Polícia Federal encontrou conversas entre Toffoli e Vorcaro e citações a ele sobre pagamentos e até convite para festa. O magistrado negou qualquer relação com o banqueiro e chamou as informações de “ilações”.

“Ninguém será blindado, não importa o cargo, o poder que exerça ou a hierarquia que ocupe dentro ou fora das estruturas do Estado”, afirmou Contarato.

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A expectativa é de que a próxima sessão da CPI seja realizada no dia 24 e votará, também, um requerimento para quebrar o sigilo da gestora de investimentos Reag, que era ligada ao Master e também foi liquidada pelo Banco Central. O objetivo é esclarecer eventuais vínculos financeiros e operacionais que possam indicar irregularidades.

Também serão propostas a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do fundador da gestora, João Carlos Mansur, e também sua convocação para prestar depoimento, além da solicitação ao Banco Central para enviar o processo administrativo completo que resultou na liquidação extrajudicial da instituição.

Em menos de 24 horas, Toffoli emitiu duas notas negando relações com Vorcaro, mas, em uma delas, admitiu ter sido sócio de uma empresa com os irmãos que deteve participações em um resort no interior do Paraná e que vendeu cotas a um fundo de investimentos do cunhado do banqueiro, preso na segunda fase da operação Compliance Zero por suspeita de participação em um suposto esquema de fraudes financeiras.

“[O ministro] jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, disse Toffoli em uma nota emitida por seu gabinete.

Toffoli admite ter sido sócio da Maridt Participações com os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, que deteve cotas do resort de luxo Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR), e que seria permitido pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), desde que não exerça atos de gestão.

Ele ainda ressaltou na nota que “a Maridt é uma empresa familiar” constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado e devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal, sendo “sempre devidamente aprovadas”.

O ministro também pontuou que deixou de fazer parte da Maridt antes de ser sorteado para relatar o caso do STF, em novembro de 2025. “Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, disse.

Toffoli vinha mantendo silêncio sobre as apurações de diversos veículos de imprensa em relação ao envolvimento dele com o resort no interior do Paraná — ele é apontado por funcionários como proprietário. Seus irmãos também chegaram a prestar informações dúbias sobre a participação no empreendimento, até que um deles, José Eugênio, confirmou a sociedade, mas sem citar o ministro.

A declaração contrastou com afirmações da própria esposa e cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, que afirmou desconhecer qualquer ligação do marido com o resort. Por outro lado, o outro irmão do ministro, José Carlos, limitou-se a dizer um “até logo, passar bem” ao ser abordado pelo Estadão para explicar a sociedade.

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