Parlamentares de oposição que participaram da ocupação para bloquear a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em 2025, denunciam um movimento da cúpula do Parlamento para transformá-los em “bois de piranha”. A expressão foi utilizada por um dos três alvos, o deputado Zé Trovão (PL-SC), antes da reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar nesta terça-feira (10). Ele afirma que mais parlamentares participaram do ato, mas seria conveniente acusar apenas o trio.
“Querem usar três pessoas como ‘boi de piranha’. Alguém querendo mostrar que tem força, que é rei”, disse Zé Trovão com exclusividade à Gazeta do Povo. Questionado sobre quem seriam as pessoas em busca de culpados, o deputado apontou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de outras lideranças partidárias inconformadas em terem que negociar com a direita.
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O caso em questão refere-se à ocupação da Mesa Diretora, que obstruiu votações após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de Zé Trovão, respondem pelos atos os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS).
Segundo Zé Trovão, um acordo teria sido simulado para a desocupação do espaço, o que Motta negou posteriormente. O parlamentar afirma que a tentativa de punir apenas três deputados pelo episódio é fruto da “raiva” da cúpula por ter fingido uma negociação.
“Fingiram fazer um acordo para nos fazer liberar a mesa e depois não o cumpriram. Feio não é fazer acordo, feio é não cumprir”, criticou Zé Trovão.
Ouvido na condição de testemunha, o deputado Marcos Pollon (PL-MS) discorreu sobre a expressão popular, que afirmou ser “muito comum” em seu estado. Ele explicou o sentido da metáfora:
“Como diz a expressão — meu avô era tropeiro —, reza a lenda que se pegava um boi velho, feria-o e o deixava no rio para atrair as piranhas, permitindo que o restante do rebanho passasse em segurança”, disse Pollon.
O colegiado conduz, até esta quarta-feira (11), oitivas para apurar os fatos.











