
O secretário adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos Econômicos, Energia e Negócios, Caleb Orr, deu nesta quarta-feira (11) uma entrevista coletiva online na qual citou investimentos em projetos de terras raras no Brasil e afirmou que o país é visto por Washington como “parceiro estratégico” na construção de cadeias de suprimentos críticas.
“Os Estados Unidos têm interesse em financiar projetos em todo o Brasil. Há dois projetos que mencionei anteriormente, no Estado de Goiás, focados em elementos de terras raras pesadas. Mas esses são apenas exemplos, e acredito que o potencial para projetos entre Estados Unidos e Brasil é muito alto”, declarou Orr.
Na semana passada, a mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, anunciou que fechou um acordo com a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) para um investimento na empresa no valor de US$ 565 milhões. O acordo inclui ainda a possibilidade de participação minoritária dos EUA na mineradora.
Por sua vez, a mineradora Aclara Resources, especializada em terras raras pesadas, também obteve no ano passado apoio da DFC para o desenvolvimento do chamado “projeto Carina”, voltado à exploração desses minerais no município de Nova Roma, também em Goiás. Conforme comunicado divulgado pela empresa na ocasião, o financiamento aprovado pode chegar a US$ 5 milhões e será destinado à realização de estudos de viabilidade técnica do empreendimento.
O secretário adjunto elogiou na coletiva a participação do Brasil na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada na semana passada, em Washington, organizada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. De acordo com Orr, a presença do Brasil foi interpretada como um “sinal positivo” no contexto das negociações para aprofundar a cooperação bilateral.
A reunião ocorreu no âmbito do lançamento do chamado “Projeto Vault”, iniciativa estratégica do presidente Donald Trump para criar um estoque nacional de terras raras e outros minerais críticos para os EUA com o objetivo de reduzir a dependência americana da China e proteger setores considerados essenciais, como defesa, tecnologia e indústria automotiva. Segundo a imprensa americana, o plano pode envolver investimentos estimados em até US$ 12 bilhões para fortalecer cadeias de suprimento consideradas estratégicas.
“Os EUA consideram o Brasil parceiro estratégico na construção de cadeias de suprimentos críticas, resilientes e seguras”, disse Orr nesta quarta.
Na reunião da semana passada, a Argentina assinou um acordo com Washington para cooperação no fornecimento e processamento de minerais críticos. Japão, União Europeia e México também participaram daquele encontro que reuniu cerca de 50 países.
O Brasil, que possui a segunda maior reserva global de terras raras, atrás apenas da China, participou do evento, mas informou, segundo a agência Reuters, que ainda avalia se integrará formalmente à iniciativa liderada pelos Estados Unidos. O tema deve entrar na pauta do encontro previsto entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.











