NEUROMARKETING – A DISPUTA SILENCIOSA PELA MENTE HUMANA

NEUROMARKETING – A DISPUTA SILENCIOSA PELA MENTE HUMANA Vamos com cuidado — e com coragem intelectual. Este não é um artigo feito para conforto, mas para reflexão, e talvez por isso incomode: toca em consensos emocionais; e quando a emoção vira consenso, a razão costuma se retirar. A realidade, porém, é mais complexa. O marketing empresarial vigente não vende apenas produtos; imprime arquiteturas psíquicas. A neurociência, criada para compreender a mente, passou a ser usada para induzir comportamentos. Nasce assim, o “Neuromarketing” — e tudo muda: já não se oferece algo útil, oferece-se uma causa. Causas mobilizam mais do que anúncios. Custam menos, geram pertencimento e principalmente engajamento. Na saúde, isso é evidente: meses com cores temáticas, laços e campanhas emocionalmente calibradas ocupam espaços públicos. O foco recai, sobretudo, sobre as mulheres — não por fragilidade, mas por virtudes reais: cuidado, vigilância com a saúde e compromisso coletivo. Quando uma pauta assume o rótulo de “defesa da vida”, essas qualidades entram em ação. O problema surge quando a boa-fé passa a sustentar estruturas com interesses financeiros. A pergunta necessária é simples: o Neuromarketing aplicado à saúde prioriza a prevenção ou amplia o ingresso de "consumidores" no sistema? Prevenção autêntica reduz adoecimentos e intervenções. Já a prevenção convertida em vigilância permanente produz ansiedade, dependência de protocolos e expansão de clientelas. Há um ponto ainda mais sensível: prevenir sem revisar criticamente os tratamentos é um contrassenso. Detectar cedo para aplicar terapias agressivas e desatualizadas não é avanço — é antecipação do dano. Certos exames tornaram-se portas de entrada para processos quase automáticos. O modelo oncológico ainda se apoia fortemente em terapias desenvolvidas há décadas, enquanto abordagens como imunoterapias enfrentam barreiras de acesso e prioridade. Alguns pesquisadores questionam essa ordem, pois tratamentos altamente invasivos podem comprometer o sistema imunológico que terapias inovadoras buscam preservar. Não se trata de negar a ciência, mas de perguntar a serviço de quem certas escolhas permanecem. Quando sustentabilidade econômica pesa, a vida humana pode tornar-se variável secundária. O que se propõe aqui não é abandonar causas, pois elas trazem acolhimento, mas acrescentar lucidez ao invés de direcionamento. E aqui está o “X” da questão: enquanto a energia emocional das pessoas é mobilizada para legitimar protocolos antigos e manter fluxo constante de capital, terapias inovadoras enfrentam resistência e silêncio institucional. A boa intenção popular acaba funcionando como combustível de permanência. A inovação passa a ser vista não como avanço, mas como ameaça ao modelo estabelecido. Defender a vida, talvez, não seja apenas aderir às campanhas, mas perguntar por que o novo demora tanto a ocupar o lugar do que já se mostrou ineficiente.

Por Mauro Falcão, Pesquisador e escritor brasileiro

Vamos com cuidado — e com coragem intelectual. Este não é um artigo feito para conforto, mas para reflexão, e talvez por isso incomode: toca em consensos emocionais; e quando a emoção vira consenso, a razão costuma se retirar. A realidade, porém, é mais complexa.

O marketing empresarial vigente não vende apenas produtos; imprime arquiteturas psíquicas. A neurociência, criada para compreender a mente, passou a ser usada para induzir comportamentos. Nasce assim, o “Neuromarketing” — e tudo muda: já não se oferece algo útil, oferece-se uma causa.

Causas mobilizam mais do que anúncios. Custam menos, geram pertencimento e principalmente engajamento. Na saúde, isso é evidente: meses com cores temáticas, laços e campanhas emocionalmente calibradas ocupam espaços públicos. O foco recai, sobretudo, sobre as mulheres — não por fragilidade, mas por virtudes reais: cuidado, vigilância com a saúde e compromisso coletivo. Quando uma pauta assume o rótulo de “defesa da vida”, essas qualidades entram em ação. O problema surge quando a boa-fé passa a sustentar estruturas com interesses financeiros.

A pergunta necessária é simples: o Neuromarketing aplicado à saúde prioriza a prevenção ou amplia o ingresso de “consumidores” no sistema? Prevenção autêntica reduz adoecimentos e intervenções. Já a prevenção convertida em vigilância permanente produz ansiedade, dependência de protocolos e expansão de clientelas.

Há um ponto ainda mais sensível: prevenir sem revisar criticamente os tratamentos é um contrassenso. Detectar cedo para aplicar terapias agressivas e desatualizadas não é avanço — é antecipação do dano. Certos exames tornaram-se portas de entrada para processos quase automáticos. O modelo oncológico ainda se apoia fortemente em terapias desenvolvidas há décadas, enquanto abordagens como imunoterapias enfrentam barreiras de acesso e prioridade. Alguns pesquisadores questionam essa ordem, pois tratamentos altamente invasivos podem comprometer o sistema imunológico que terapias inovadoras buscam preservar.

Não se trata de negar a ciência, mas de perguntar a serviço de quem certas escolhas permanecem. Quando sustentabilidade econômica pesa, a vida humana pode tornar-se variável secundária. O que se propõe aqui não é abandonar causas, pois elas trazem acolhimento, mas acrescentar lucidez ao invés de direcionamento.

E aqui está o “X” da questão: enquanto a energia emocional das pessoas é mobilizada para legitimar protocolos antigos e manter fluxo constante de capital, terapias inovadoras enfrentam resistência e silêncio institucional. A boa intenção popular acaba funcionando como combustível de permanência. A inovação passa a ser vista não como avanço, mas como ameaça ao modelo estabelecido. Defender a vida, talvez, não seja apenas aderir às campanhas, mas perguntar por que o novo demora tanto a ocupar o lugar do que já se mostrou ineficiente.

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