Servidora da Receita alvo do STF recebeu tornozeleira com 4% de bateria, diz defesa

A servidora da Receita Federal Ruth Machado dos Santos, acusada de acessar indevidamente dados da advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foi ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de São Vicente (SP) na última terça-feira (17), para instalação de uma tornozeleira eletrônica, por ordem do mesmo ministro. De acordo com a defesa de Ruth, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) forneceu uma tornozeleira eletrônica com 4% de bateria. A defesa precisou aguardar por quatro horas até o carregamento do equipamento na própria unidade, para evitar que, durante o caminho, houvesse um desligamento, o que poderia fazer com que a auxiliar administrativa acabasse presa.

“Ela ficou aproximadamente umas quatro horas no CPP de São Vicente, entre instalação de tornozeleira e carregamento, que a SAP forneceu uma tornozeleira com 4% para ela. Ela correria o risco até de ser presa se ela regressasse à casa com esses 4%”, disse o advogado Diego Scarpa à Gazeta do Povo. A reportagem também entrou em contato com a SAP e o espaço segue aberto para manifestação.

O anúncio das investigações pelo STF chamou a atenção por citar nominalmente os suspeitos, o que não costuma ocorrer em divulgações do tipo. A Corte ressaltou o fato de que o pedido partiu da Procuradoria-Geral da República no inquérito das fake news, aberto de ofício (diretamente pelo Supremo, sem pedido). O inquérito já tramita há sete anos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pede seu encerramento.

Após a investida, o presidente da  Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) criticou publicamente o Supremo, apontando os riscos aos auditores em investigar os ministros. O risco acabou se confirmando: Moraes mandou Kleber Cabral prestar depoimento à Polícia Federal (PF).

 

O que diz a defesa

O advogado Diego Scarpa, que defende Ruth, emitiu nota na última quarta-feira (18) sobre as acusações:

“Diante das notícias recentemente veiculadas acerca de supostos vazamentos envolvendo dados fiscais de familiares do doutor Alexandre de Moares, Ministro do Supremo Tribunal Federal, a defesa de Ruth Machado dos Satos manifesta-se publicamente para esclarecer os fatos.

Trata-se de profissional com quase 32 anos de serviço público, cuja trajetória funcional é marcada pela correção, discrição e absoluto respeito às normas que regem a Administração Pública, com estrita observância aos deveres legais, especialmente aqueles relacionados ao sigilo funcional, à proteção de dados e à responsabilidade inerente ao cargo. Ao longo de mais de três décadas de exercício, jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida por colegas e superiores hierárquicos.

Cumpre-nos ressaltar que a profissional não possui qualquer vínculo político-partidário, histórico de militância ou engajamento ideológico que pudesse, ainda que em tese, sugerir motivação de natureza política. Trata-se de atuação técnica, apartidária, e de uma vida funcional distante de disputas ou alinhamentos dessa natureza.

Por fim, a defesa está confiante que a apuração dos fatos ocorrerá com serenidade, responsabilidade e respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório. Tem-se convicção de que, ao final, restará demonstrado que a servidora não concorreu para a infração penal.

Fonte: Gazeta do Povo

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