Uma trágica ocorrência em Cordeiro, Maranhão, resultou na morte de uma mulher de 49 anos após ser atacada por seu cão da raça pitbull. O animal, que vivia com a família há dois anos, foi adotado já adulto. Durante o banho do cão, a tutora foi mordida fatalmente. O esposo da vítima, presente no local, buscou abrigo e acionou o socorro. As equipes de resgate, ao chegarem, encontraram o animal extremamente agressivo, o que impossibilitou o acesso imediato à residência. Diante da ameaça iminente e da falha nas tentativas de contenção, a Polícia Militar precisou neutralizar o cão com uso de arma de fogo para evitar mais ataques, conforme nota oficial.
Especialistas em comportamento animal ressaltam que incidentes graves como este não definem o comportamento natural da raça pitbull, frequentemente estereotipada. A bióloga Helena Truksa, da clínica Ethos Animal, aponta que o manejo inadequado ou insalubre é, na maioria dos casos, o fator predisponente para desfechos trágicos. O zootecnista Alexandre Rossi, conhecido como "Dr. Pet", reforça que a maioria dos cães emite <b>sinais de alerta</b> antes de um ataque. Compreender esses sinais é crucial para a prevenção e para agir de forma a minimizar riscos em situações de potencial agressão, seja de pitbulls ou de outras raças.
Como Agir em Situações de Ataque Canino
Diante de um cão agressivo, é fundamental adotar medidas de segurança. Evite correr ou fazer contato visual direto, afastando-se lentamente. Utilize barreiras físicas se possível e, em caso de ataque, proteja regiões vitais do corpo, como pescoço e rosto, buscando atendimento médico imediato após o incidente.
Reconhecendo os Sinais de Alerta
A médica veterinária Camila Rhani enfatiza que a agressão canina raramente surge sem avisos prévios. Cães demonstram uma progressão de sinais que culminam no ataque, conhecidos como <i>calming signals</i> (sinais de apaziguamento). Estes são comportamentos instintivos que os animais usam para evitar conflitos, gerenciar tensões e comunicar desconforto, funcionando como pistas claras de que o cão não está à vontade na situação.
Inicialmente, um cão pode exibir sinais sutis de estresse, como virar o rosto ou o corpo, lamber os lábios, bocejar fora de contexto, evitar contato visual ou demonstrar lentidão e hesitação em seus movimentos.
A ignorância desses indícios pode levar o animal a manifestar um nível de estresse mais elevado, caracterizado por orelhas para trás, corpo rígido, cauda baixa ou enrijecida, pupilas dilatadas e respiração ofegante com a boca tensa.
Em estágios mais críticos de desconforto, o cão pode rosnar, mostrar os dentes, avançar o corpo ou entrar em um estado de 'congelamento', onde fica estático e foca intensamente no objeto de seu desagrado, conforme descrito pela veterinária Camila Rhani. Um sinal particularmente importante que precede um ataque é o fechamento da boca. Alexandre Rossi explica que, ao respirar com a boca aberta, o cão está relaxado e sua atenção pode ser dispersa; ao fechá-la, ele se concentra, buscando mais informações do ambiente no momento que antecede a agressão.
Respeitar esses limites comportamentais é crucial para evitar incidentes. A veterinária Cintia Pinheiro, da Animalz Brasil, destaca que ataques na rua frequentemente são motivados por medo, enquanto em ambiente doméstico, resultam de quebra de limites ou manejo inadequado do animal.
Medidas para Evitar uma Mordida
Ao identificar tais comportamentos de alerta, é vital não confrontar o cão e procurar sair da situação discretamente. Se o encontro ocorrer na rua, durante uma caminhada, o ideal é permanecer imóvel, pois movimentos rápidos podem desencadear o instinto de perseguição do animal, como adverte Camila Rhani. Além disso, evite o contato visual direto.
Fonte: https://saude.abril.com.br









