• Canetas Emagrecedoras do Paraguai: Sucesso, Riscos e a Complexidade do Mercado Ilegal

      A busca por resultados rápidos na perda de peso impulsiona o uso de canetas emagrecedoras sem registro, muitas delas vindas do Paraguai, mesmo com os riscos associados. O relato de usuários, como Amanda, que trocou um medicamento original por ampolas clandestinas, reflete uma crescente normalização do consumo de produtos ilegais em prol da imagem corporal idealizada.

      Comportamento do Consumidor e Ceticismo Científico

      Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) em parceria com o Datafolha revelam que apenas 5% dos consumidores consideram o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como critério de escolha ao adquirir produtos para emagrecer. Em contraste, 54% priorizam a promessa de resultados rápidos. Especialistas, como o cardiologista Diandro Motta, assessor científico da Socesp, alertam para a desconfiança crescente em relação à ciência e às instituições reguladoras, um cenário que favorece a proliferação do mercado irregular.

      A Expansão do Mercado Clandestino

      Entre janeiro e maio de um período recente, a Receita Federal apreendeu mais de 56 milhões de unidades de ampolas contrabandeadas, um volume 22 vezes superior às vendas de análogos de GLP-1 originais no Brasil no mesmo período. Estima-se que apenas 5% do total seja de fato interceptado, com as substâncias chegando ao país escondidas de diversas formas, como em pneus, motores de carro e fundos falsos de malas.

      O Paraguai se estabeleceu como o epicentro desse movimento, com 81% das apreensões ocorrendo no Paraná, estado que faz fronteira com Ciudad del Este. A disseminação é amplificada por uma rede de influenciadores e até médicos que promovem a compra desses produtos em estabelecimentos específicos, como a Drogaria Santa Rita, que ganhou notória presença digital.

      Uma vez no Brasil, a revenda dos medicamentos ocorre sem grandes obstáculos, sendo oferecida em salões de estética, grupos de WhatsApp de condomínios e por meio de parcerias com profissionais da área médica, conforme aponta Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

      Riscos Potenciais à Saúde

      O uso dessas canetas emagrecedoras ilegais pode acarretar sérios problemas para órgãos vitais como intestino, fígado, pâncreas e coração, devido à ausência de controle de qualidade e à incerteza sobre a composição real dos produtos.

      Indústria Paraguaia e a Falta de Transparência

      A cadeia irregular tem sua origem na indústria farmacêutica paraguaia, com laboratórios como Éticos (Lipoless), Quinfa (Tirzec) e Indufar (TG) sendo os principais produtores de tirzepatidas. Apesar da alegada tradição dessas empresas no mercado local, há uma notável falta de transparência e rigor regulatório em comparação a padrões como os da Anvisa, facilitando a proliferação de produtos sem comprovação adequada.

      Fonte: https://saude.abril.com.br

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