• Diagnóstico Tardio Prejudica Tratamento de Quase Metade dos Pacientes com Câncer de Pulmão

      Um estudo nacional conduzido nos Estados Unidos e publicado em maio no JAMA Oncology revelou que quase metade (46,8%) dos pacientes com câncer de pulmão não recebeu tratamento para a doença. Cerca de um terço dos indivíduos faleceu nos primeiros 90 dias após o diagnóstico, e mais de um terço não chegou a consultar um oncologista, evidenciando lacunas críticas no manejo desta neoplasia, uma das principais causas de mortalidade.

      A Abrangência do Estudo e a Realidade no Brasil

      A pesquisa populacional analisou dados de mais de 250 mil pessoas ao longo de 15 anos (2006 a 2021) do Surveillance Epidemiology and End Results (SEER) e do Medicare, programas de saúde do governo dos EUA. Os participantes eram diagnosticados com câncer de células não pequenas, o tipo mais comum de câncer de pulmão. No Brasil, essa neoplasia representa o terceiro tumor mais comum entre homens e o quarto entre mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). É a principal causa de morte por câncer em homens e a segunda em mulheres, com aproximadamente 85% dos casos associados ao tabagismo.

      Os Desafios do Diagnóstico Tardia e Acesso ao Tratamento

      Embora o estudo não aponte as causas diretas, o oncologista Gustavo Schvartsman, do Einstein Hospital Israelita, especula que fatores como agressividade da doença, rápida fatalidade ou falta de tempo podem estar envolvidos, além da possibilidade de escolha do paciente. Contudo, a pesquisa alerta veementemente para o problema do diagnóstico tardio. Schvartsman observa que, por vezes, há uma morosidade no sistema de saúde para realizar as etapas diagnósticas, encaminhar ao especialista e iniciar o tratamento em tempo hábil.

      O câncer de pulmão frequentemente se manifesta sem sintomas em suas fases iniciais, sendo descoberto em estágios avançados. No Brasil, apenas cerca de 15% dos casos são diagnosticados precocemente, quando a doença está localizada e não se espalhou. Quando a detecção é precoce, a taxa de sobrevida em cinco anos é de 56%; em estágios avançados, esse índice despenca para 18%. A falta de acesso facilitado a exames como a tomografia computadorizada é apontada como um dos motivos para o atraso no diagnóstico por sociedades médicas brasileiras.

      Fatores Adicionais e Iniquidades no Brasil

      Tratamentos modernos, como a imunoterapia e as terapias-alvo, exigem avaliações genéticas do tumor. Um estudo retrospectivo publicado na Revista de Saúde Pública indicou que no Brasil, o diagnóstico inicial é mais comum em pessoas brancas e não fumantes, e a mortalidade diminui com o aumento da escolaridade. O oncologista reitera que o diagnóstico tardio e as falhas sistêmicas em conduzir o paciente com suspeita a um diagnóstico rápido e preciso são o cerne do problema, impedindo a oportunidade de tratamento.

      Recomendações para Rastreamento

      O rastreamento do câncer de pulmão, através da tomografia de baixa radiação anual, é recomendado para fumantes e ex-fumantes com 50 anos ou mais, que possuam carga tabágica superior a 20 anos-maço (calculada pelo número de maços fumados por dia multiplicado pelo número de anos) e que tenham parado de fumar há menos de 15 anos.

      Fonte: https://saude.abril.com.br

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