O Estudo Brasileiro de Menopausa revela que 82% das mulheres no país enfrentam sintomas que impactam severamente sua qualidade de vida. Entre os principais incômodos, destacam-se os fogachos (ondas de calor) e a insônia, que comprometem o bem-estar e a produtividade. Embora a terapia de reposição hormonal seja a primeira linha de tratamento, muitas mulheres não podem ou não desejam utilizá-la. Para esse grupo, uma nova classe de medicamentos, os antagonistas seletivos do receptor de neurocinina 3 (NK3), está chegando ao mercado, oferecendo uma alternativa promissora.
Mecanismo de Ação e Aprovação do Fezolinetant
O fezolinetant, o primeiro fármaco dessa classe, obteve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil em junho e aguarda a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Desenvolvido pela farmacêutica japonesa Astellas e comercializado como Veoza, já está disponível em 50 países. Segundo a ginecologista Thaís Ushikusa, o fezolinetant atua diretamente no hipotálamo, bloqueando especificamente o receptor NK3, responsável pelo controle térmico, e reduz os fogachos sem interferir nas vias hormonais. Estudos clínicos de fase 3 confirmaram sua segurança e eficácia, demonstrando uma redução de até 80% nos episódios de ondas de calor.
Benefícios Adicionais na Melhoria do Sono
Além de aliviar os fogachos, um novo estudo divulgado no 20º Congresso Mundial de Menopausa, o OPTION-VMS (fase 4), apresenta dados que evidenciam como o fezolinetant também tem beneficiado a qualidade do sono das pacientes. As melhorias nos sintomas vasomotores e no sono podem ser notadas já na 4ª semana de uso e se mantêm por pelo menos 12 semanas. As participantes registraram uma redução média de 2,6 despertares por noite. A ginecologista canadense Marla Shapiro explica que os fogachos são gatilhos para o sono fragmentado na perimenopausa, e o tratamento eficaz desses sintomas pode melhorar significativamente o descanso. Mulheres com distúrbios leves de sono deixaram de lidar com eles após o primeiro mês de tratamento. O estudo também apontou poucos eventos adversos graves, com alterações hepáticas em apenas duas pacientes, que foram revertidas com ajustes.
Metodologia da Pesquisa OPTION-VMS
A pesquisa acompanhou, por três meses, cerca de mil mulheres norte-americanas que utilizavam terapias não-hormonais para o controle de sintomas da menopausa, incluindo fezolinetant, antidepressivos e anticonvulsivantes. A avaliação da qualidade do sono foi realizada tanto de forma subjetiva, através de relatos das pacientes sobre o impacto do tratamento, quanto objetiva, com o uso de actigrafia – um dispositivo semelhante a um relógio de pulso que monitora ciclos de atividade e repouso, permitindo quantificar a redução de despertares. Embora os dados tenham sido apresentados em um congresso internacional, ainda serão publicados em uma revista científica. Uma limitação do estudo é que ele não foi desenhado para avaliar diferenças entre os grupos de tratamento.
Fonte: https://saude.abril.com.br









