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Por Gabrielle Silva
Centenas de brasileiros somente consultam um oftalmologista, após a ocorrência de problemas oculares, sobretudo entre crianças, que neste período do ano, retornam às salas de aula e se tornam mais sujeitas a infecções. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), em parceria com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), lançou a Cartilha “Saúde Ocular na Infância” para conscientizar familiares e profissionais da educação e também orientar sobre os cuidados com a saúde ocular nessa faixa etária.
O guia está dividido em seis seções, começando com o desenvolvimento visual do bebê até as recomendações sobre exames oftalmológicos, abordando algumas das principais condições oculares que acometem esse grupo. A conjuntivite e o terçol são citadas como algumas das principais e mais comuns patologias.
De acordo com a oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, a primeira é de caráter viral, ainda comum no inverno, uma vez que as pessoas tendem a ficar em ambientes fechados, com pouca circulação de ar, usando roupas há muito tempo guardadas e, até mesmo, lavando menos as mãos, hábito que contribui para o contágio. Neste caso, é possível notar vermelhidão ocular, coceira e a presença de secreção nos olhos.
Já a principal característica do terçol está no surgimento de uma elevação ou bolinha na pálpebra, provocando inchaço e vermelhidão, sendo considerado bastante doloroso. Na maioria das vezes, a condição decorre de inflamação nas glândulas sebáceas, devido à uma infecção bacteriana.
Outro alerta da cartilha está no crescente uso de telas, ação que já se tornou hábito entre brasileiros. Os equipamentos ajudam a distrair as crianças em atividades diárias, contudo, o uso excessivo é prejudicial à saúde ocular.
Um dos principais indícios de algo errado está no cansaço visual, que, posteriormente, provoca problemas a longo prazo, como a miopia, cada vez mais comum entre crianças e adolescentes. “A indicação é evitar exposição até os dois anos de idade e limitar o uso para adolescentes, em aproximadamente até três horas diárias”, explica Juliana.
A cada início de período letivo, os pais ou responsáveis devem agendar um check-up ocular infantil. A avaliação permite acompanhar a evolução da saúde ocular e de maneira precoce, diagnosticar problemas que influenciam a performance estudantil em sala de aula, como a dificuldade para enxergar objetos distantes e, até mesmo, para ler, podendo se tratar de uma síndrome ainda pouco conhecida, chamada Irlen.
O guia ainda alerta para outros problemas oculares, como a obstrução lacrimal, comum em bebês e os cuidados para evitar acidentes domésticos, quer seja pelo manuseio de objetos cortantes ou pelo armazenamento de produtos químicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que até 80% dos casos de cegueira infantil mundiais poderiam ser prevenidos ou tratados com diagnóstico precoce. A atenção é essencial para qualquer mínimo sinal, pois muitas condições começam de maneira silenciosa e deve-se manter consultas periódicas para avaliar a saúde ocular.











