O Poder do Exercício na Prevenção e Combate ao Câncer de Mama

    Há um tempo, um programa de TV entrevistou pessoas caminhando no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Naquela época, um estudo havia sido publicado relacionando atividade física à redução na incidência de câncer de mama, e a jornalista questionava os passantes sobre suas motivações para se exercitar. Emagrecer, desestressar e cuidar da saúde eram as respostas mais comuns. A repórter, talvez, buscava alguém que mencionasse a prevenção do câncer como motivação principal. Isso não ocorreu, evidenciando que, há alguns anos, pouco se falava sobre a relação entre atividade física e câncer, mesmo em consultórios médicos. Observa-se uma grande evolução nesse entendimento desde então. Como a Atividade Física Previne o Câncer Atualmente, a ciência respalda a prescrição de exercícios tanto na prevenção quanto no tratamento de diversas formas de câncer. Um estudo recente associa a prática regular de exercícios à redução do risco de pelo menos 13 tipos de tumores, incluindo esôfago, fígado, pulmão, rim, estômago, endométrio, intestino, reto, bexiga, cabeça e pescoço, leucemia mieloide, mieloma, e, notavelmente, o câncer de mama. A primeira vez que essa ligação protetora foi sugerida foi em um trabalho de 1985, que analisou a ocorrência da doença ao longo da vida em 5.398 ex-alunas universitárias. Dessas, 2.622 foram atletas amadoras e 2.776 não praticaram esportes na universidade. A análise revelou que o grupo de não atletas apresentou, em média, duas vezes e meia mais tumores ginecológicos e o dobro de casos de câncer de mama em comparação com as mulheres que mantinham uma rotina de exercícios. É provável que os efeitos positivos não se restrinjam apenas ao período universitário de prática esportiva. Do total de atletas universitárias, 82% já praticavam alguma modalidade antes do ensino superior, enquanto apenas 25% das não atletas tinham esse histórico. O estudo sugeriu a existência de um “efeito atlético”, que reflete os benefícios da exposição prolongada ao exercício, frequentemente iniciada na adolescência. Exercícios e o Câncer de Mama: Redução de Risco e Melhoria no Tratamento Após essas descobertas iniciais, diversas pesquisas expandiram o entendimento sobre a relação entre atividade física e câncer de mama. Doze anos depois, um estudo demonstrou uma redução de risco de 37% em mulheres que se exercitavam regularmente, o que consolidou a importância do tema. Atualmente, com base em inúmeros dados, muitos deles observacionais, há um consenso claro: exercícios diminuem as chances de desenvolver câncer de mama, reduzem o risco de recidiva após o tratamento, limitam a mortalidade, minimizam os efeitos colaterais dos medicamentos e contribuem significativamente para a recuperação e reabilitação das pacientes. A autora, como médica que enfrentou o câncer de mama, relata sua experiência pessoal, afirmando que os exercícios foram essenciais para aliviar as piores dores físicas que sentiu. Tendo vivenciado ambos os lados, como médica e paciente, os dias no centro cirúrgico tornaram-se particularmente desafiadores após suas próprias cirurgias. Longas horas em pé, utilizando o bisturi com precisão e assumindo a responsabilidade de cuidar de vidas, tornaram a cirurgia, parte essencial de sua carreira, uma tarefa extremamente árdua. Musculação Pós-Câncer de Mama: A Relevância do Fortalecimento Muscular Ao final de dias exaustivos, sua fisioterapeuta, Cristiane Ribeiro, tinha a missão de massagear os músculos doloridos e cansados, visando aliviar o desconforto para uma nova semana. Contudo, parecia um ciclo interminável, até a redescoberta do poder dos exercícios. Apesar de sempre ter praticado atividades físicas, percebeu que raramente trabalhava os membros superiores. Na juventude, tocava piano e fazia balé, e após a faculdade, tornou-se cirurgiã. Pensava que nenhuma dessas atividades exigia braços fortes, imaginando que uma cirurgiã deveria ser delicada, o que resultou em uma musculatura superior frágil, Algo que foi agravado pela instalação de próteses de silicone após a retirada das mamas — nesse caso, Fonte: https://saude.abril.com.br

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