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Obesidade: Estudo Revela Como o Fenótipo ‘Intestino Faminto’ Responde Melhor ao Mounjaro

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A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e complexa, com diversas variáveis que contribuem para o excesso de adiposidade e que afetam cada indivíduo de maneira distinta. Nesse cenário, um estudo recente publicado na revista científica Gastroenterology oferece insights cruciais sobre as diferenças na resposta de pacientes aos medicamentos à base de GLP-1, como o Mounjaro.

Embora a resposta a qualquer medicamento seja inerentemente individual, a nova pesquisa sugere que, no tratamento da obesidade, a eficácia pode estar ligada não apenas à genética, mas também ao subtipo específico da doença de cada pessoa. Essa descoberta abre caminho para uma abordagem mais personalizada no manejo da obesidade.

As Variações da Obesidade: Quatro Fenótipos Principais

A ciência tem categorizado a obesidade em quatro fenótipos distintos, visando explicar por que diferentes indivíduos ganham peso e reagem de formas variadas a tratamentos médicos e dietas. Esses fenótipos baseiam-se em mecanismos biológicos específicos que levam ao excesso de peso.

Cérebro Faminto (Hungry Brain)

Caracteriza-se por uma saciação anormal durante as refeições. O cérebro demora a registrar a ingestão suficiente de alimentos, levando a pessoa a consumir um volume maior de calorias para se sentir satisfeita.

Intestino Faminto (Hungry Gut)

Neste fenótipo, o problema reside na saciedade de curta duração. O estômago esvazia rapidamente; a pessoa sente-se cheia logo após comer, mas a fome retorna em pouco tempo, pois o sinal de saciedade se dissipa precocemente.

Comer Emocional (Emotional Hunger)

O apetite hedônico é guiado por sentimentos, ou seja, a vontade de comer surge em resposta a emoções como estresse, ansiedade, tédio ou tristeza, e não por uma necessidade física de energia. A comida atua como uma recompensa ou mecanismo de escape.

Queimador Lento (Slow Burn)

Define-se por um gasto energético basal reduzido. O corpo consome menos calorias em repouso do que o esperado, o que facilita o ganho de peso e torna a perda de gordura mais lenta, mesmo com uma ingestão calórica menor.

Mounjaro e o Fenótipo 'Intestino Faminto'

O estudo recente destaca que indivíduos com o fenótipo 'Intestino Faminto' apresentam uma resposta significativamente melhor à tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro. Pesquisando 483 adultos com obesidade, constatou-se que cerca de 25% dos participantes pertenciam a este grupo e perderam, em média, 21,5% do peso corporal após seis meses de tratamento, em comparação com 11,7% nos outros grupos.

Andres Acosta, médico gastroenterologista e autor do estudo, explica que essas pessoas possuem níveis muito baixos de GLP-1 não apenas no plasma, mas também no intestino, indicando uma produção insuficiente desse hormônio natural. A tirzepatida, que imita a ação do GLP-1 e do GIP (hormônios intestinais que atuam na saciedade), preenche essa deficiência, resultando em uma resposta mais eficaz. A hipótese é que uma disfunção mais ampla nas células produtoras de hormônios intestinais, como peptídeos YY e CCK, contribua para essa condição.

Aplicação Clínica e Medicina de Precisão

Acosta ressalta que essa descoberta fortalece o conceito de medicina de precisão, permitindo o desenvolvimento de tratamentos mais individualizados. Enquanto pacientes com 'Intestino Faminto' são considerados 'super-respondedores' a agonistas de GLP-1, aqueles com 'Cérebro Faminto' podem ser não respondedores ou respondedores parciais a esse tipo de terapia. Rodrigo Lamounier, endocrinologista da Abeso, complementa que, embora os agonistas de GLP-1 sejam eficazes para a maioria das pessoas com obesidade, o aprofundamento nos subtipos da doença é crucial para o avanço do conhecimento médico e a otimização dos tratamentos.

Fonte: https://saude.abril.com.br

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