• Pesquisa com Polilaminina: Tatiana Sampaio Detalha Atrasos e Desafios da Inovação em Saúde no Brasil

      A renomada pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, líder dos estudos com a polilaminina para o tratamento de lesões medulares, participou de um evento em Florianópolis promovido pela Vesper. O encontro, focado em inovação em saúde no Brasil, reuniu diversos atores do ecossistema científico e empresarial, ocasião em que Sampaio concedeu uma entrevista exclusiva atualizando o status do ensaio clínico da molécula.

      Situação Atual do Estudo Clínico com Polilaminina

      A pesquisa de fase 1, que visa testar a segurança da polilaminina, obteve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano. Contudo, o início do estudo está paralisado devido à demora na aprovação interna do Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da USP, instituição designada para conduzir a pesquisa. A pesquisadora expressou frustração com os atrasos, que impedem o avanço do projeto.

      Inicialmente planejado para um grupo pequeno de cinco pacientes, com acompanhamento de seis meses para cada, a expectativa era de um processo ágil. Apesar da autorização da Anvisa, a pesquisadora estima que a fase de captação e acompanhamento dos pacientes poderia levar cerca de um ano, mas ressalta que o projeto não conseguiu progredir desde janeiro.

      Críticas ao Sistema de Inovação em Saúde do Brasil

      Tatiana Sampaio criticou veementemente o sistema de inovação em saúde no Brasil, descrevendo-o como um 'carro com os faróis voltados para trás'. Ela argumenta que o país ainda debate questões que já deveriam estar superadas, enquanto a comunidade científica global avança para discussões mais complexas e métodos inovadores, resultando em uma morosidade que compromete o desenvolvimento de novas terapias.

      Questionamento do Grupo Controle e Tendências Mundiais

      Sampaio defendeu uma reavaliação da necessidade de grupos controle em estudos clínicos avançados, posição que gerou críticas. Ela citou o exemplo do Japão, onde uma terapia celular para Parkinson foi aprovada após estudos com apenas sete pacientes, evidenciando uma tendência internacional de flexibilização metodológica em prol da agilidade na entrega de inovações médicas, desde que a segurança e eficácia sejam comprovadas.

      Perspectivas para o Futuro da Inovação em Saúde

      A pesquisadora defende uma 'mudança de rota' na forma como a inovação em saúde é concebida e implementada no Brasil, questionando modelos tradicionais. Ela assegurou que quaisquer passos futuros com a polilaminina serão rigorosamente éticos e autorizados pelos órgãos competentes, mas enfatizou a necessidade de abrir espaço para novas abordagens e acelerar os processos para que o Brasil não fique aquém dos avanços globais.

      Fonte: https://saude.abril.com.br

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