Uma pesquisa exclusiva da 99pay, divulgada à VEJA SAÚDE, revela que a situação financeira impacta negativamente o bem-estar emocional de 87% dos brasileiros. O levantamento, que ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões entre 13 e 21 de agosto, traçou um perfil detalhado da ansiedade financeira no país.
As Principais Fontes de Angústia
Entre as maiores preocupações citadas pelos participantes estão o atraso no pagamento de contas e a dificuldade de economizar, ambos mencionados por 37%. Em seguida, aparecem o temor de gastos inesperados (33%), o aumento das dívidas (31%) e a necessidade de recorrer a empréstimos (29%). Mariana Beer, diretora de marketing da 99pay, destaca que "o dinheiro vem afetando a vida das pessoas e, para além disso, o quanto elas abrem mão de coisas importantes por sua falta", evidenciando que as questões financeiras transcendem a gestão cotidiana.
Impacto Emocional dos Imprevistos
O estudo também investigou a reação a imprevistos financeiros. A ansiedade é o sentimento imediato predominante, citado por 46% dos entrevistados, quando um gasto surpresa surge. Outras sensações incluem frustração (40%), insegurança (33%), tristeza (26%), medo (24%) e impotência (23%).
A Vergonha como Barreira
Maria Manso, psicóloga e planejadora financeira, explica que a preocupação financeira afeta a segurança, o pertencimento e a autoimagem. Contas no vermelho frequentemente se traduzem em ansiedade, insônia, irritabilidade e, notavelmente, vergonha. Esse sentimento, segundo Manso, afasta as pessoas da busca por ajuda psicológica e financeira, criando um ciclo vicioso onde a evitação agrava o problema e alimenta a ansiedade.
Consequências na Saúde e Desenvolvimento Pessoal
A insegurança financeira acarreta sérias consequências para a saúde física e mental e o autocuidado. Quase um terço dos participantes relatou ter perdido noites de sono devido a preocupações com dinheiro, e o mesmo número abriu mão de cursos ou investimentos em estudos. Além disso, 24% adiaram consultas médicas e 15% deixaram de buscar atendimento psicológico por falta de recursos.
A pesquisa também revelou uma desigualdade acentuada: quanto menor a renda, maior o prejuízo. Nas classes D e E, 48% dos entrevistados indicaram que o aperto financeiro abalou "muito" seu bem-estar emocional no último ano, em contraste com 26% na classe A. Para mais de 30% das faixas D e E, a falta de verba resultou na interrupção de estudos ou adiamento de exames e consultas médicas importantes.
Impacto Geracional Variado
O levantamento analisou como as finanças afetam diferentes gerações. A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) foi a mais afetada, com 72% relatando um impacto moderado ou intenso na saúde mental. Os Millennials (1981-1996) e a Geração X (1965-1980) tiveram 69% e 68%, respectivamente, enquanto os Boomers (1946-1964) registraram 59%.
Os motivos de ansiedade e angústia também variam por idade. Um em cada quatro jovens da Geração Z sofre emocionalmente ao comparar sua vida financeira com a de terceiros, um gatilho que afeta apenas 15% da Geração X e 8% dos Boomers. Conforme a idade avança, as preocupações se deslocam para a manutenção familiar e a segurança na velhice. Por exemplo, o medo de uma despesa inesperada aflige 51% dos Boomers, mas apenas 23% da Geração Z. A Geração X, por sua vez, é mais preocupada com o atraso no pagamento de contas (49%), evidenciando as "diferentes dores do ciclo de vida", segundo Maria Manso.
Fonte: https://saude.abril.com.br









