Um levantamento exclusivo da plataforma ImpulsoGov, obtido por VEJA SAÚDE, identificou os 20 municípios brasileiros com as menores coberturas vacinais contra o sarampo em 2026, com dados referentes de janeiro a junho. A pesquisa revelou que em algumas dessas cidades, menos de 10% das crianças foram imunizadas com a primeira ou segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Os estados com maior número de municípios no 'top 20' de menores coberturas são Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (4), São Paulo (3) e Goiás (4).
Análise da Baixa Cobertura Vacinal por Porte de Município
Municípios de Pequeno Porte
Para a primeira dose da vacina, o menor índice brasileiro foi registrado em Serra Azul, São Paulo, um município com 13.108 habitantes, onde apenas 7% da população-alvo (crianças de 12 meses) foi vacinada. Isso representa apenas três doses aplicadas, muito abaixo da meta de 45 crianças para o período, segundo a ImpulsoGov.
Cidades com Mais de 100 Mil Habitantes
Em um recorte focado em cidades com mais de 100 mil habitantes, Ribeirão Preto, também em São Paulo, apresentou a menor cobertura, com 37% das vacinas aplicadas (1.377 doses de uma meta de 3.711). Outras cidades como Sertãozinho (SP), com 46%, e Simões Filho (BA), com 53%, também registraram índices muito aquém da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Panorama Detalhado das Piores Coberturas (Primeira Dose)
De maneira geral, os índices de primeira dose nas cidades com as piores coberturas do Brasil variaram de 7% a 29%. O levantamento baseou-se no painel de coberturas do Ministério da Saúde, considerando o município de residência da criança. A lista abaixo apresenta os 20 municípios com as menores coberturas vacinais para a primeira dose: Serra Azul (SP) — 7% Capela de Santana (RS) — 10% Portão (RS) — 10% Artur Nogueira (SP) — 12% Balneário Barra do Sul (SC) — 14% Central do Maranhão (MA) — 17% Amparo do Serra (MG) — 18% Campestre da Serra (RS) — 20% Santa Tereza de Goiás (GO) — 22% André da Rocha (RS) — 22% Portelândia (GO) — 24% Pratápolis (MG) — 24% Rio Doce (MG) — 25% Toropi (RS) — 25% Cerro Grande (RS) — 27% Miguel Leão (PI) — 27% Aurilândia (GO) — 27% Biquinhas (MG) — 29% Palmópolis (MG) — 29% Alto Alegre (SP) — 29%
Considerando apenas as cidades com mais de 100 mil habitantes, os piores índices para a primeira dose foram: Ribeirão Preto (SP) — 37% Sertãozinho (SP) — 46% Simões Filho (BA) — 53% Santo André (SP) — 54% Belford Roxo (RJ) — 58% Trindade (GO) — 62% Breves (PA) — 63% Santarém (PA) — 67% São José de Ribamar (MA) — 68% Itaituba (PA) — 69% Paulista (PE) — 69% Novo Gama (GO) — 69% Olinda (PE) — 70% Franca (SP) — 70% Feira de Santana (BA) — 70% Timon (MA) — 70% Santa Rita (PB) — 70% Sapucaia do Sul (RS) — 70% Caxias (MA) — 71% Lauro de Freitas (BA) — 72%
A Crise da Segunda Dose: Índices Alarmantes
A primeira dose da tríplice viral é recomendada aos 12 meses de idade, e a segunda, aos 15 meses, podendo ser feita com a vacina tetraviral, que acrescenta proteção contra varicela. O levantamento aponta que a cobertura da segunda dose da tríplice viral é ainda mais preocupante, com percentuais variando entre 1% e 18% nas cidades com os piores resultados. Em Capela de Santana (RS), por exemplo, a cobertura cai de 10% na primeira dose para apenas 1% na segunda, com somente uma dose registrada contra uma meta de 72 crianças.
Juliana Ramalho, gerente de Saúde Pública e Relações Governamentais da ImpulsoGov, destaca que o esquema vacinal incompleto é uma das maiores preocupações. Ela explica que, após os 12 meses, a frequência das consultas da criança diminui, levando pais a esquecerem ou adiarem as doses. É crucial manter a mesma atenção até completar o esquema vacinal para evitar que doenças como o sarampo voltem a circular.
Os municípios com as menores coberturas para a segunda dose incluem: Capela de Santana (RS): 1% Coronel José Dias (PI): 4% Santa Cruz do Arari (PA): 4% Serra Azul (SP): 4% Artur Nogueira (SP): 7%
Fonte: https://saude.abril.com.br









