Conhecida como "colesterol amaldiçoado" entre cardiologistas, a lipoproteína (a), ou Lp(a), é uma partícula gordurosa no sangue cujo nível elevado indica um maior risco cardiovascular, mesmo em indivíduos com colesterol normal. Recentemente incluída nas diretrizes brasileiras de controle do colesterol, estima-se que 25% da população tenha níveis de Lp(a) acima do recomendado (30 mg/dl). No entanto, menos de 1% da população já realizou o exame laboratorial para medi-la, deixando muitos inconscientes de um importante fator de risco.
O que é a Lp(a) e por que ela preocupa
A Lp(a) é motivo de preocupação para especialistas devido à sua capacidade de estimular processos inflamatórios e a formação de placas de gordura nas artérias, precursores de infartos e AVCs. Sua presença representa uma ameaça adicional aos vasos sanguíneos, somando-se a outros fatores como colesterol elevado, excesso de peso e diabetes. Com forte componente genético, uma única medição na vida pode indicar a propensão a esses problemas.
Diferente do colesterol alto, a Lp(a) é resistente às intervenções atuais; ajustes no estilo de vida e estatinas não são eficazes para baixá-la significativamente. Sua importância foi destacada quando pacientes com hábitos saudáveis e colesterol normal ainda sofriam infartos, revelando a Lp(a) como a peça-chave que faltava. Embora não haja tratamento específico, conhecer os níveis de Lp(a) permite aos médicos intensificar o controle de outros fatores de risco como colesterol LDL, pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Salvação no horizonte
A relevância da Lp(a) é tal que o dia 24 de março é agora a data global de conscientização sobre ela. Mais exames significam mais informações e ferramentas para prevenir doenças cardiovasculares. O futuro é promissor, com a expectativa de um estudo este ano sobre um medicamento que visa especificamente a Lp(a). Se seus efeitos protetores forem confirmados, a Lp(a) passará de um simples marcador de risco a um novo alvo terapêutico, oferecendo um recurso essencial para combater essa "maldição" arterial.
Fonte: https://saude.abril.com.br









