Neste domingo, 21 de agosto, 41 milhões de eleitores colombianos aptos a votar compareceram às urnas para escolher o próximo presidente, que governará o país de agosto de 2026 a agosto de 2030. O cargo, sem direito a reeleição, é disputado em um segundo turno polarizado entre a esquerda e a extrema-direita.
Os Candidatos em Disputa
A eleição coloca frente a frente Iván Cepeda, de esquerda, alinhado ao atual presidente Gustavo Petro, e Abelardo De La Espriella, de extrema-direita, que conta com o apoio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ambos representam visões opostas para o futuro da Colômbia e sua posição no cenário internacional.
Iván Cepeda: Continuidade da Esquerda
Iván Cepeda, senador em seu terceiro mandato, é filósofo e um notório defensor dos direitos humanos. Filho do ex-senador de esquerda Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, ele busca dar continuidade ao projeto do Pacto Histórico, coalizão que formou o primeiro governo de esquerda da história colombiana, liderado por Gustavo Petro.
Abelardo De La Espriella: Aposta da Extrema-Direita
Abelardo De La Espriella é um advogado multimilionário que se apresenta como um 'outsider' da política, sem experiência prévia em cargos eletivos. Admirador do argentino Javier Milei, Espriella promete uma maior aproximação com a Casa Branca e Israel. Antes da candidatura, residia na Itália e advogou para figuras como Jorge Visbal, ligado a paramilitares, e Alex Saab, associado ao governo venezuelano de Nicolás Maduro.
Resultados do Primeiro Turno e Participação
No primeiro turno, realizado em 31 de maio, Espriella obteve 43,7% dos votos, superando Cepeda, que recebeu 40,9%, uma diferença de 673 mil votos. A participação dos eleitores no primeiro turno na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, foi de 57% do total de pessoas aptas a votar.
Cenário Político-Social e Implicações Geopolíticas
A Colômbia, afetada por mais de cinco décadas de conflitos armados, enfrenta esta eleição em meio a contínuos casos de violência política e confrontos, problemas que o projeto de “Paz Total” do governo atual não conseguiu resolver integralmente. Por outro lado, o país mantém índices econômicos positivos, incluindo crescimento salarial e reformas trabalhistas e previdenciárias recentes que ampliaram direitos.
O resultado deste domingo terá um impacto significativo na correlação de forças políticas na América do Sul. Segundo o professor Sebastián Granda Henao da UFGD, a vitória de Espriella fortaleceria a influência de Donald Trump na região, podendo frear alianças contra a desigualdade e em prol da transição energética e preservação ambiental. Já uma vitória de Cepeda representaria a continuidade de uma aliança estratégica na América Latina, mantendo posicionamentos comuns em relações internacionais com países como Brasil e México.









