
Quando o assunto são os ácidos esfoliantes, é fácil ter a sensação de que é preciso quase um diploma em química para conseguir navegar pela seção de skincare. AHAs, BHAs, PHAs… as siglas, por si só, já podem ser suficientes para deixar qualquer pessoa confusa. Mas, se há uma dúvida que dermatologistas e especialistas em tratamentos faciais ouvem repetidamente, é: qual ingrediente é melhor, glicólico ou salicílico?
Embora ambos sejam esfoliantes, eles atuam de maneiras bastante diferentes. O ácido salicílico é conhecido há tempos como um aliado no combate às espinhas e aos poros obstruídos, enquanto o glicólico é celebrado por sua capacidade de devolver luminosidade, suavizar a textura e amenizar a aparência de linhas finas ao longo do tempo. Então, qual deles merece um lugar na sua rotina? A seguir, especialistas explicam as diferenças entre os dois, qual ingrediente é mais indicado para cada tipo de pele e em quais fórmulas vale a pena investir.
Qual é a diferença entre o ácido glicólico e o ácido salicílico?
Se os ingredientes de skincare tivessem personalidade, o glicólico seria o perfeccionista que quer fazer tudo da melhor maneira possível, enquanto o salicílico seria o solucionador de problemas de temperamento tranquilo. Ambos são ácidos esfoliantes, mas atuam de maneiras muito diferentes.
“O ácido glicólico é um alfa-hidroxiácido (AHA), derivado da cana-de-açúcar e conhecido por seu pequeno tamanho molecular, que permite que ele atue de maneira eficaz na superfície da derme”, explica Mark Curry, cofundador e CEO da marca de skincare The Inkey List. Pense, portanto, em tom mais uniforme, textura mais lisa e aquele desejado viço. É o ingrediente que ajuda a renovar, de maneira gentil, uma pele opaca e cansada.
“O ácido salicílico, por outro lado, pertence à família dos beta-hidroxiácidos (BHAs)”, afirma Mark. Diferentemente do glicólico, o salicílico consegue atuar especificamente sobre a oleosidade, o que significa que pode ir além da superfície e chegar ao interior dos poros. “Ali, ajuda a dissolver o excesso de sebo e os resíduos antes que eles tenham a chance de se transformar em cravos ou imperfeições. Seu objetivo está menos relacionado a uma luminosidade imediata e mais a manter o equilíbrio sob a superfície da pele”.
Quais problemas cada um pode tratar?
O ácido glicólico é um verdadeiro multitarefa — e um ingrediente ao qual recorrer em casos de opacidade e falta de viço. “Ele ajuda a melhorar a uniformidade, suavizar a aparência de linhas finas, reduzir marcas pós-acne e deixar a textura áspera mais lisa ao longo do tempo”, diz Mark. É especialmente eficaz para devolver vitalidade a uma pele com aspecto cansado.
Já o ácido salicílico ganhou sua reputação entre pessoas com pele oleosa, congestionada ou com tendência à acne. “Ele ajuda a desobstruir os poros, reduzir cravos pretos e brancos, acalmar lesões ativas de acne e controlar o excesso de oleosidade”, explica o especialista. Se a principal queixa é a obstrução dos poros, e não a falta de luminosidade, ele costuma ser a escolha mais estratégica.
É claro que a pele raramente apresenta apenas um problema de cada vez. É perfeitamente possível ter, simultaneamente, falta de viço e imperfeições, razão pela qual muitas rotinas acabam incorporando os dois ingredientes, mas não necessariamente ao mesmo tempo. O famoso Glycolic Stick, da The Inkey List, combina ambos para tratar essas duas questões no corpo, como acne nas costas, pequenas elevações na região do peito e queratose pilar.
Um ingrediente é melhor do que o outro?
Não. A escolha tem mais a ver com identificar aquilo de que a sua pele precisa. “Se luminosidade, pigmentação e textura estão no topo da sua lista de desejos, o glicólico é a sua escolha. Se você está lidando com acne, obstrução persistente dos poros ou excesso de oleosidade, é difícil superar o salicílico”, aconselha Mark.
Há outros ingredientes que devem ser evitados ou usados com cautela ao utilizar ácido glicólico ou salicílico?
O maior erro geralmente não está no uso desses ácidos em si, mas em combiná-los com muitos outros ativos potentes. “Associar o glicólico ou salicílico a retinoides de alta concentração, outros ácidos esfoliantes ou esfoliantes físicos na mesma rotina pode fazer com que a pele passe rapidamente de luminosa a irritada e comprometer sua barreira”, afirma o CEO da The Inkey List.
A vitamina C também merece atenção. Embora não haja nada inerentemente errado em combiná-la com esses ácidos, alguns tipos de pele podem considerar a associação potente demais. Para evitar irritações desnecessárias, especialmente em caso de sensibilidade, o ideal é usar produtos com vitamina C pela manhã e os ácidos esfoliantes à noite.
É possível usar ácido glicólico com retinol?
“Sim, no entanto, eu teria cautela se você tiver uma pele especialmente seca ou sensível”, aconselha a dermatologista Alexis Granite, consultora da CeraVe. “O retinol acelera a renovação celular e, embora não seja um esfoliante propriamente dito, ajuda a eliminar parte da camada mais superficial de células mortas. Isso, combinado ao ácido glicólico, pode causar irritação e fazer com que os ingredientes penetrem de maneira mais eficaz”.
Em vez disso, o ideal é optar por produtos com concentrações mais baixas e certificar-se de que a pele está tolerando bem um dos ingredientes antes de introduzir o outro. Também é possível alterná-los, usando ácido glicólico em uma noite e retinol na seguinte, para aumentar a tolerância.
Independentemente do ácido escolhido, o protetor solar é a etapa indispensável da rotina. A esfoliação revela uma pele mais nova, mas essa camada recém-exposta fica mais vulnerável aos danos causados pela radiação ultravioleta.
Esta matéria foi publicada originalmente no site da Vogue UK com o título: “Glycolic Acid Vs. Salicylic Acid: Which Is Best For Radiant Skin?”
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