A gastroparesia é um distúrbio de motilidade gastrointestinal caracterizado pelo retardo ou interrupção do esvaziamento gástrico, sem a presença de uma obstrução física. Essa condição, popularmente conhecida como “estômago lento”, resulta de um mau funcionamento dos nervos e músculos estomacais, comprometendo a passagem do conteúdo do estômago para o intestino delgado. Pacientes afetados frequentemente enfrentam desnutrição, desidratação e uma significativa redução na qualidade de vida. As causas primárias estão ligadas a danos nos músculos do estômago e no nervo vago, que controla a musculatura digestiva, embora outros fatores, incluindo certos medicamentos, também possam desencadear o problema.
Causas da Gastroparesia
Entre as causas mais comuns da gastroparesia, o diabetes mellitus se destaca, pois, ao longo do tempo, pode provocar danos aos nervos, resultando na gastroparesia diabética. No entanto, esta é apenas uma das possíveis origens da condição.
A gastroparesia também pode surgir no pós-operatório, desenvolvendo-se após intervenções cirúrgicas no trato gastrointestinal superior ou na região torácica. Nesses casos, os procedimentos podem lesionar o nervo vago e a musculatura da área, comprometendo a motilidade gástrica.
Outros quadros clínicos associados incluem hipotireoidismo, doenças reumatológicas como esclerodermia e amiloidose, e patologias neurodegenerativas como Parkinson e esclerose múltipla. Condições neurológicas específicas, como tumores no tronco cerebral e AVCs, também podem ser fatores etiológicos.
Infecções virais e o uso de determinados medicamentos, incluindo antidepressivos, opioides, bloqueadores dos canais de cálcio e, notavelmente, algumas canetas emagrecedoras, são capazes de impactar negativamente a motilidade gastrointestinal.
Apesar da vasta gama de possibilidades, em muitos casos, a causa da gastroparesia permanece indeterminada. Nestas situações, a condição é classificada como idiopática pelos profissionais de saúde.
Sintomas e Complicações
Os principais impactos à saúde decorrentes da gastroparesia incluem desidratação, baixa ingestão calórica e perda de peso involuntária. Muitos pacientes desenvolvem desnutrição qualitativa, caracterizada pela carência de nutrientes essenciais mesmo sem déficit calórico, devido à preferência por alimentos ricos em carboidratos e açúcares refinados que causam menos desconforto. Aqueles que não adotam essa estratégia podem sofrer perda de massa muscular, além da perda de peso.
O acúmulo de alimentos parcialmente digeridos no estômago pode levar à formação de bezoares, massas que ficam presas nas paredes do órgão e podem, eventualmente, causar uma obstrução no trato gastrointestinal.
É crucial estar atento aos sintomas para buscar diagnóstico e tratamento. Os principais incluem sensação de saciedade precoce ao comer ou prolongada mesmo em jejum, náuseas, vômitos, distensão e dores abdominais, produção excessiva de gases, azia, falta de apetite e uma persistente sensação de estômago pesado.
Em casos mais avançados, onde a desnutrição e a desidratação crônicas se instalam, manifestam-se sintomas adicionais como fraqueza, tonturas, boca seca e perda de peso exacerbada.
Diagnóstico e Tratamento
Os sintomas da gastroparesia podem ser inespecíficos e confundidos com outras condições. Portanto, é fundamental procurar um médico ao notar qualquer alteração inexplicável na alimentação, evacuação ou peso corporal para investigar as causas subjacentes.
O diagnóstico é estabelecido com base nos sinais clínicos e em testes específicos que documentam o retardo do esvaziamento gástrico. Exames de imagem são essenciais para essa avaliação, e uma endoscopia geralmente é realizada para descartar a possibilidade de uma obstrução mecânica.
As abordagens de tratamento variam individualmente. Se uma causa de fundo for identificada, o manejo dessa condição pode ser suficiente para resolver a gastroparesia. Contudo, algumas formas crônicas exigem acompanhamento contínuo para controlar os impactos, como ocorre com a gastroparesia associada ao diabetes.
Independentemente da causa, a primeira linha de tratamento envolve modificações dietéticas. As recomendações médicas geralmente incluem a redução do tamanho das porções, a preferência por alimentos leves, com menor teor de gordura e maior quantidade de fibras solúveis, para facilitar a digestão e minimizar o desconforto.
Fonte: https://saude.abril.com.br









