Casa Branca reduz estimativa para geração de emprego; cenário pressiona Fed

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse nesta segunda-feira (9) que o crescimento do emprego nos Estados Unidos poderá ser menor nos próximos meses devido ao crescimento mais lento da força de trabalho e à maior produtividade, contribuindo para um debate que também está em andamento no Federal Reserve e promete moldar as próximas decisões políticas do banco central norte-americano.

O número de empregos formais cresceu em média 53.000 vagas em novembro e dezembro, em comparação com um ganho médio de 183.000 empregos por mês nos 10 anos anteriores à pandemia da Covid-19, e bem mais do que isso durante um boom de empregos nos últimos anos do governo de Joe Biden.

Parte desse crescimento do emprego, no entanto, foi impulsionado por um rápido aumento na oferta de trabalhadores devido à política de imigração flexível, algo que o atual presidente dos EUA, Donald Trump, reverteu e que agora está complicando os esforços dos economistas para entender se o mercado de trabalho está desacelerando porque a economia está enfraquecendo ou porque não há trabalhadores suficientes para preencher as vagas disponíveis.

Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, oferece uma terceira explicação: a produtividade aumenta a quantidade que cada trabalhador pode produzir, permitindo que a economia cresça mesmo que o número de trabalhadores seja limitado e os ganhos mensais de empregos sejam baixos.

A combinação de um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e um declínio na força de trabalho “devido à saída de migrantes ilegais do país” poderia levar a números de empregos mais baixos, declarou Hassett em entrevista à CNBC.

“Portanto, acho que você deve esperar números de empregos ligeiramente menores, consistentes com o alto crescimento do PIB no momento. Não devemos entrar em pânico se você vir uma sequência de números menores do que está acostumado, porque, novamente, o crescimento populacional está diminuindo e o crescimento da produtividade está disparando. É um conjunto incomum de circunstâncias”, argumentou.

O Departamento do Trabalho deve divulgar o relatório de emprego não agrícola de janeiro nesta quarta-feira (11), que era para ter sido publicado na sexta (6) e foi adiado por conta do shutdown parcial que teve fim na terça-feira (3). Uma pesquisa da Reuters prevê um aumento de 70.000, após um aumento de 50.000 em dezembro.

A taxa de desemprego nos EUA foi de 4,4% em dezembro. Economistas consultados pela Reuters esperam que ela permaneça inalterada em janeiro.

Os comentários de Hassett seguem os do chair do Fed, Jerome Powell, em uma coletiva de imprensa há duas semanas, após a última reunião de política monetária do banco central, quando ele afirmou que os formuladores de políticas dos EUA enfrentavam uma “situação muito desafiadora e bastante incomum”, em que a demanda e a oferta de trabalhadores estavam caindo.

Essa situação é consistente com um crescimento do emprego mais lento do que o normal e uma taxa de desemprego estável.

Isso também torna “difícil interpretar o mercado de trabalho”, avaliou Powell, porque a reação do Fed pode variar dependendo se a oferta ou a demanda desempenha um papel mais importante na limitação do crescimento do emprego.

Se a oferta estiver restrita porque os trabalhadores em potencial foram deportados, isso poderá ser sentido em gargalos de contratação e aumento dos salários — um potencial precursor da inflação e uma razão para o Fed ser cauteloso em relação aos cortes nas taxas.

Se o crescimento do emprego estiver diminuindo devido à fraca demanda, isso seria um motivo para o Fed reduzir as taxas de juros para apoiar o crescimento econômico e a contratação. Trump tem criticado Powell e o banco central dos EUA por não terem feito os cortes profundos nas taxas que o presidente considera necessários para estimular a economia.

Assim como Hassett, o candidato a chair do Fed, Kevin Warsh, recentemente nomeado por Trump para substituir Powell em maio e aguardando uma audiência de confirmação do Senado, também destacou que uma maior produtividade poderia moderar a inflação e mudar as perspectivas da política do banco central.

Powell e a maioria dos formuladores de políticas do Fed dizem estar abertos à possibilidade de que o forte crescimento recente da produtividade persista, mas também relutam em basear as decisões de política monetária de curto prazo em uma hipótese.

“A questão da demanda versus oferta é importante para a política monetária. Se for a demanda, o Fed precisa intervir. Se for a oferta, a inflação será mais persistente e o Fed deve se manter firme”, avaliou Dario Perkins, diretor-gerente de macroeconomia global da TS Lombard.

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