Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia realizar uma ligação para Donald Trump nos próximos dias, segundo apuração da analista de Política Isabel Mega. A iniciativa ocorre após conversas recentes com Vladimir Putin e Xi Jinping, e se daria nos mesmos moldes desses diálogos.
A analista de Internacional Fernanda Magnotta, durante o CNN 360º desta quinta-feira (6) avaliou que a ligação “viria a calhar” do ponto de vista da política externa brasileira.
“Claro que um telefonema não resolve os problemas estruturais que hoje se colocam diante de Brasil e Estados Unidos, mas poderia contribuir para interromper uma lógica de escalada e, pelo menos, reabrir um canal político de diálogo e negociação“, destacou Magnotta.
Fontes afirmaram à CNN que o objetivo principal da conversa seria tratar de conflitos globais. No entanto, interlocutores avaliam que nada impediria que, aproveitando o ensejo da ligação, fossem abordadas também as tensões na relação bilateral entre os dois países nos últimos meses.
Magnotta destacou ainda que o elemento simbólico é central nesse tipo de iniciativa diplomática: “Às vezes, o simples fato de líderes voltarem a conversar já traduz para toda a cadeia que vem abaixo uma mensagem importante”.
A analista também ponderou sobre o contexto eleitoral brasileiro. Ela observou que o mote de “Brasil soberano”, que teve boa repercussão doméstica durante o tarifaço de 2025, não está surtindo o mesmo efeito, sinalizando um desgaste dessa plataforma.
Com eleições no horizonte, Magnotta alertou para o risco de a escalada diplomática ser associada a outras crises, como a relação com a Argentina.
“Ao invés de surtir um ganho de imagem para o presidente brasileiro, isso possa ser colocado como se o Brasil estivesse em rota de colisão com vários parceiros estratégicos”, observou a analista.
Contornar linha-dura
Na avaliação de Magnotta, há no entorno de Lula a percepção de que os momentos de maior tensão diplomática viriam menos de Trump diretamente e mais de seu grupo ideológico mais próximo.
A analista citou o secretário de Estado Marco Rubio como um dos que têm sido mais duros em relação às esquerdas na América Latina como um todo e que se envolveu diretamente no embate nas últimas semanas.
“Talvez Lula acredite que, falando diretamente com Trump, ele possa tirar do caminho aqueles que sejam mais imbuídos de tratar o Brasil com dureza, acreditando que a intervenção direta de Trump, dentro de uma lógica pragmática, pudesse gerar algum resultado”, afirmou.
Magnorra ressaltou que existem múltiplas crises com os Estados Unidos em simultâneo a serem equacionadas, incluindo o tarifaço, a crise dos vistos e o impasse diplomático relacionado ao agrément do novo embaixador americano no Brasil.









